Comunidade surda do país terá dicionário de língua gestual ainda no decurso deste ano – especialista

Cidade da Praia, 31 Mar (Inforpress) – O professor do Atendimento Educativo Especializado (AEE), Paulo Cabral considerou hoje “importante” o dicionário da língua gestual cabo-verdiana, que contém mil e quinhentos imagens distribuídas em 30 categorias, devendo ser disponibilizado ainda este ano à comunidade surda.

Paulo Cabral, que falava à Inforpress à margem de um atelier de socialização para revisão do dicionário de língua gestual cabo-verdiana, que decorre na Escola Secundaria Pedro Gomes, realçou a relevância da sua participação, assim como da comunidade surda, na criação de um dicionário que irá beneficiar a comunidade a nível do arquipélago.

“Apesar de estar a trabalhar com crianças surdas desde 2014 em Cabo Verde, a minha primeira língua gestual foi portuguesa, pelo que é muito importante criarmos a nossa própria língua gestual. Espero continuar a investigar neste domínio, para construir novos materiais”, realça.

Num mundo sem som onde existem conceitos e significados que podem ser ditos num gesto, este especialista que se ocupa da comunidade surda na Cidade da Praia, quer que esta obra ajude a enriquecer o vocabulário da comunidade surda que, por vezes, não reconhece algumas palavras escritas da língua cabo-verdiana.

Por este motivo, admite que a construção e a socialização da sua língua gestual para os estudantes, são um passo “importante” na comunicação e na biblioteca das pessoas surdas.

Para a educadora especial na área, a brasileira, Melania de Mello Casarin, que junto com outros colegas tem se deslocado a Cabo Verde para recolha dos sinais e produção do dicionário da língua gestual cabo-verdiana, trata-se de uma obra que vai servir a comunidade surda e os ouvintes.

“Desde 2011 temos vindo a deslocar-nos a Cabo Verde para produzir este dicionário. Estivemos em diferentes ilhas do país onde fizemos recolha dos sinais, depois voltamos para o Brasil onde desenvolvemos outros momentos do dicionário, fotografamos todos os sinais filmados e fizemos a representação gráfica do movimento dos sinais das 30 categorias selecionadas”, disse.

De acordo com Melania de Mello Casarin, o momento é de validação agora dos sinais junto da comunidade surda de Santiago para depois se proceder ao culminar do dicionário.

Isso porque, conforme explicou, quando se fala em língua se fala em identidade, razão por que será respeitado as diferenças linguísticas de cada ilha.

Assim, sublinha, a nível do país vai haver um documento único, mas com observações das variantes para cada ilha.

Melania de Mello Casarin, revelou à Inforpress que o documento está em fase avançada de construção, pelo que acredita que o dicionário da língua gestual vai estar à disposição da comunidade surda para socialização no segundo semestre de 2017, mas não no ensino.

No âmbito da formação para o Atendimento Educativo Especializado (AEE) promovido pelo Ministério da Educação, encontram-se 30 professores, 5 técnicos e 10 surdos a participarem de uma acção de formação que visa preparar docentes para a implementação do projecto Escola de Todos II.

A formação que visa promover a formação docente para actuação em salas de aulas onde haja alunos com Necessidades Educativas Especiais, é fruto de uma cooperação entre Cabo Verde e República Federal do Brasil.

PC/FP

Inforpress/Fim

 

 

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