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Comunicação social em Cabo Verde nunca terá sustentabilidade enquanto não se definir uma politica clara para o sector – Jorge Santos

 

Porto Novo, 18 Ago (Inforpress) – O presidente da Assembleia Nacional (AN), Jorge Santos, advogou, quinta-feira, no Porto Novo, a necessidade de se adoptar “uma política clara e efectiva” para a comunicação social em Cabo Verde, como forma de se conseguir a almejada sustentabilidade.

“Nunca vamos ter uma comunicação social com sustentabilidade em Cabo Verde, enquanto não definirmos claramente uma política efectiva para o sector”, avançou Jorge Santos, durante o acto de apresentação, do livro “Megafone do Poder”, do jornalista Carlos Santos.

O presidente do Parlamento, que apresentou uma comunicação sobre a aproximação do Parlamento à sociedade, admitiu que o Governo, no seu programa da legislatura “traz algumas pistas e orientações” sobre a comunicação social que, a seu ver, “devem ser agora transformadas em políticas e programas consistentes” para este sector que enfrenta ainda “muitos desequilíbrios”.

Neste aspecto, Jorge Santos considera que o livro “Megafone do Poder” propõe “uma análise profunda” sobre a estruturação da comunicação social em Cabo Verde e traz pistas do que é necessário fazer para se ter “uma verdadeira política de comunicação social” no país.

O presidente da AN falou ainda da aproximação que se pretende alcançar entre o Parlamento e a sociedade, desiderato que se espera concretizar com as reformas em curso da “casa parlamentar”.

“O parlamento, no âmbito das reformas em curso, quer abrir-se à sociedade. Já aprovamos alguns instrumentos de reforma, como o regimento. Outros instrumentos estão sendo discutidos como o estatuto dos titulares dos cargos políticos e a lei das incompatibilidades”, explicou Jorge Santos.

Com a reforma, o nível do debate político vai elevar-se no Parlamento cabo-verdiano, admitiu, destacando a possibilidade de o primeiro-ministro ir ao Parlamento, mensalmente, para o debate com os sujeitos parlamentes de matérias de interesse da Nação.

Jorge Santos referiu-se ainda à abertura a nível dos municípios de “casas do Parlamento”, a primeira das abertas, recentemente, na ilha no Sal, no quadro de uma parceria entre a AN e a edilidade salense.

Aproveitou a sua estada no Porto Novo, município que deve, ainda este ano, receber uma conferência sobre o Parlamento e a Sociedade, promovida pela AN, para desafiar o edil a disponibilizar um espaço idêntico para que os deputados eleitos por Santo Antão possam receber e interagir com os eleitores.

A apresentação do livro “Megafone do Poder” esteve a cargo do jornalista Nuno Ferreira (escreveu o prefácio), que destacou a “qualidade efectiva” da obra, a qual resulta de vários anos de reflexão sobre a comunicação social em Cabo Verde e permite ter “uma visão ampla” sobre este sector.

“O Megafone do Poder”, segundo o seu autor, não é um livro de investigação científica e nem académico, mas um conjunto de textos de reflexões que tem vindo a fazer sobre a comunicação social em Cabo Verde, com ênfase na sua evolução e desafios, desde 2003 até 2015.

Segundo Carlos Santos, que aproveitou para falar do “calcanhar de Aquiles” da imprensa em Cabo Verde que tem a ver com a falta de especialização dos jornalistas, explicou que o livro fala sobre o sector da comunicação social em si e nos vários domínios, desde a escrita, passando pela rádio, televisão e os “online”.

JM/CP

Inforpress/Fim

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