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Compositores cabo-verdianos defendem priorização de temas tradicionais e valorização da classe

Cidade da Praia, 15 Jan (Inforpress) – Compositores cabo-verdianos abordados pela Inforpress defenderam a necessidade de priorizar as composições tradicionais sob pena de caírem em “extinção” e destacaram a importância da classe na preservação das músicas tradicionais.

Em declarações à Inforpress, por ocasião do Dia Mundial do Compositor, que se celebra hoje, 15 de Janeiro, Tibau Tavares, compositor desde a década de 80, contou que de lá para cá a música cabo-verdiana teve muitas evoluções, nomeadamente em termos de géneros musicais e formas de gravações.

“(…) Hoje há vários programas de gravações digitais, tudo evoluiu e as coisas estão mais rápidas e fáceis, por isso está banal”, precisou o músico e compositor maiense, autor de vários sucessos da música cabo-verdiana..

“Todas as pessoas querem ser artistas”, afirmou, sublinhando que as músicas tradicionais de Cabo Verde, nomeadamente a morna, a coladeira e o funaná, podem se extinguir se os devido cuidados não forem tomados, porque, justificou, o “hip hop está a tomar conta de Cabo Verde”.

Tibau Tavares, que diz não ter nada contra outros géneros musicais, advoga a necessidade de preservar a cultura e destaca o papel da rádio e televisão públicas que, na sua opinião, “devem tocar mais músicas de Cabo Verde”.

Segundo o músico, compositores de músicas tradicionais “já não são muitos” e, apesar de não haver “limite” para a arte, a música tradicional deve ser priorizada. Neste sentido, exortou os compositores a investirem suas energias na música tradicional sob pena dela extinguir, assim como a evitarem o plágio.

Tibau Tavares disse que há muito que suas músicas são registradas na França, contudo, como fundador da Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM) reconheceu o trabalho que a mesma tem vindo a desenvolver neste âmbito.

Por sua vez, Teté Alhinho, que entre os anos 80 e 90 fez suas primeiras composições, começou por debruçar sobre as grandes diversidades de géneros que existem actualmente, tendo notado que há muita composição a nível de rap e de géneros musicais “mais modernos e emergentes” e menos compositores de temas tradicionais.

A também intérprete chamou atenção para a importância dos compositores, porque, por vezes, argumentou, valoriza-se muito os intérpretes e se esquece que se não houver composições não há intérpretes.

Nesta linha, a artista apontou, igualmente, a necessidade de criar estímulos para que os compositores de música tradicional possam compor mais músicas e aumentar a oferta.

“E sensibilizar esta nova geração que compõe temas com mais fusão, a fazer mais músicas tradicionais ainda com alguma fusão porque é natural a música tradicional evoluir”, acrescentou Teté Alhinho.

“Há que haver, também, uma chamada de atenção neste sentido se não queremos que a nossa música tradicional realmente se perca, direcionando para a preservação da morna que hoje é património mundial pela Unesco”, advogou.

Teté Alhinho enalteceu também a SCM pelo “grande passo” dado na defesa e protecção de direitos autorais em Cabo Verde e pelo “excelente trabalho”.

Alberto Koening, que está no mundo de composições desde 2002, reconheceu que há uma grande diversidade de compositores em Cabo Verde, mas ainda há compositores da nova geração virados aos temas tradicionais.

“As perspectivas para o futuro dos compositores são boas, mas acho que o mercado deve estar mais aberto a todo o tipo de composição. Claro que nesses últimos anos a música tradicional perdeu muito espaço, e se está num momento em que muitos estão a optar por fazer fusão entre música tradicional e moderna, mas há artistas a beber na nossa tradição”, afirmou.

No entanto, Alberto Koening tem verificado que televisão e rádio é “mais dominado” por músicas comerciais, tendo indicado que os compositores nacionais estão a “evoluir”, principalmente agora, com o bom funcionamento da SCM que incentiva e mostra aos compositores o valor do seu trabalho.

Alberto Koening falou também da importância da valorização dos compositores, e exortou a mais orgulho e respeito pela classe, já que são eles que transformam a “matéria prima em diamante”.

TC/CP

Inforpress/Fim

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