CMRGS: Manuel de Pina desprofissionaliza vereador Apolinário das Neves, mas este diz que é uma vingança

 

Cidade da Praia, 14 Ago (Inforpress) – A Assembleia Municipal da Ribeira Grande de Santiago aprovou hoje, sob proposta do edil Manuel de Pina, uma deliberação que altera o número de vereadores profissionalizados de quatro para três, deixando de fora o vereador Apolinário das Neves.

O vereador que ocupava os pelouros do Urbanismo, Ambiente e Cooperação, diz que se trata de uma vingança contra a sua pessoa, pelo facto de não discriminar os munícipes afectos ao PAICV e adianta que na base dessa proposta está uma carta da bancada do Movimento para a Democracia (MpD) endereçada ao presidente onde o grupo adianta que o vereador tem tomado decisões que favoreçam os munícipes afectos ao PAICV.

“O vereador tem sobre si as mais variadas acusações sendo uma das quais o benefício de terceiros em detrimento dos interesses da câmara, chegando a favorecer munícipes afectos ao PAICV como o caso da atribuição de uma obra a um deputado municipal do PAICV”, refere o documento.

Na carta que Apolinário das Neves distribuiu à imprensa, a bancada que sustenta a autarquia declara o vereador Apolinário da Neves como uma pessoa “non grata” em termos políticos e sem a confiança política pelo que recomenda a Manuel de Pina que escolhesse entre manter o vereador ou manter a bancada do seu lado.

“A bancada deliberou na sua reunião o seguinte: não aprovar qualquer instrumento de gestão da Câmara enquanto o vereador Apolinário das Neves se mantiver como vereador”, acrescenta o documento.

Por isso, Apolinário das Neves considera que a aprovação dessa deliberação na sessão extraordinária da Assembleia Municipal foi um acto vergonhoso, truculento, de pura vingança e de grave totalitarismo por parte de um presidente de Câmara.

“O presidente da Câmara quis conduzir até a Assembleia Municipal e o vereador que é acusado nem sequer teve a palavra à defesa e ao esclarecimento”, disse frisando que esta foi uma forma encontrada pelo presidente da CMRGS e os eleitos do MpD de fazer cassar o seu mandato.

Em reação a esses factos, o edil Manuel de Pina negou que tenha cedido às pressões da bancada municipal do MpD e justificou a desprofissionalização de Apolinário das Neves com a perda de confiança no vereador.

“Eu não me revia em carta alguma se mantivesse a confiança nos meus vereadores. Mas eu neste momento não tenho confiança no vereador apolinário”, disse sem avançar “os vários motivos” para a perda dessa confiança.

Antes de ser vereador, Apolinário das Neves foi director de gabinete de Manuel de Pina no anterior mandato. Questionado porque é que só agora perdeu a confiança nele, o edil adianta que “só agora passou a conhecer o perfil do vereador”.

“Esta pessoa não tem nada a ver como o meu director de gabinete há quatro anos”, sublinhou, sublinhando que o presidente da câmara tem por direito gerir como entende para atingir os seus objectivos

Apolinário das Neves contrapõe acusando Manuel de Pina de centralizador.

É que, segundo frisou, na qualidade de director de gabinete não decidia, mas na qualidade de vereador tem poder de decisão, o que na sua perspectiva acabou por incomodar o também presidente da Associação Nacional de Municípios de Cabo Verde.

Apolinário das Neves tornou-se agora num vereador a meio tempo e sem pasta, mas garante que vai continuar a trabalhar até o final do seu mandato a bem dos ribeira-grandenses.

Na sessão da Assembleia Municipal foi também alterada a deliberação que retira o subsídio de transporte aos vereadores não profissionalizados.

MJB/FP

Inforpress/fim

 

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