Cinema: “Manuel d´Novas – Coração de poeta” é o filme mais premiado do festival Plateau

Mindelo, 30 Nov (Inforpress) – O filme “Manuel d´Novas – Coração de poeta” foi o mais premiado da 7ª edição do Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia, uma distinção que deixou o realizador Neu Lopes com o “sentimento de dever cumprido”.

Vencendo os prémios “Melhor longa documental” e “Prémio revelação nacional”, o filme  “Manuel d´Novas – Coração de poeta” foi o mais distinguido e ainda acabou por ser a única produção de Cabo Verde a ser galardoada neste festival, que premiou mais produções do Brasil e de Portugal.

“Com certeza é um sentimento de dever cumprido, já que foram seis anos de trabalho e com uma equipa bem pequena, praticamente eu e o Edson Silva como cameraman”, considerou Neu Lopes, à Inforpress, não se esquecendo dos apoios recebidos de colegas da produtora Osga Filmes e “muitos outros amigos” que o ajudaram.

O realizador disse que queria fazer o trabalho da sua vida e falar do próprio pai, o Manuel d´Novas, que foi um dos maiores compositores cabo-verdianos.

“Foi um trabalho difícil e de grande responsabilidade, porque falar de Manuel d´Novas não é fácil e não é por eu ser seu filho que ficou mais fácil”, defendeu Neu Lopes, dizendo-se “muito satisfeito” com o resultado e ainda mais agora com a premiação.

Mas, asseverou, não quer ficar por aí e pretende levar este documentário o mais longe, para ser conhecido em todo o Cabo Verde e lá fora. Planos estes que foram adiados, desde a estreia em Dezembro do ano passado, devido a pandemia, quando o filme já estava destinado a percorrer todas as ilhas e ainda participar de um festival em Milão, Itália.

“Mas, agora vejo que valeu a pena, estou muito satisfeito e os prémios mostram que é um trabalho de qualidade”, concretizou.

“Manuel d’Novas – Coração de Poeta” regista depoimentos de nomes marcantes do folclore musical do arquipélago, poetas, musicólogos e companheiros de lides musicais de Manuel d’Novas.

Manuel de Jesus Lopes, nome próprio de Manuel d’Novas, nasceu a 24 e Dezembro de 1938, na localidade de Penha de França, ilha de Santo Antão, e faleceu a 22 de Setembro de 2009, na ilha de São Vicente.

No meio musical é tido com um dos poetas e compositores cabo-verdianos mais conhecidos internacionalmente, tendo sido o compositor preferido de nomes como Cesária Évora, Bana e Ildo Lobo. Fez mais de uma centena de composições, sobretudo mornas e coladeiras.

O festival de cinema Plateau, cujos resultados foram conhecidos neste domingo, distinguiu ainda os filmes “Luís Humberto: O Olhar Possível”, de Mariana Costa e Rafael Lobo (Brasil) como a melhor curta documentário, “Neguinho/Blackie”, de Marçal Vianna (Brasil) como melhor curta ficção, “Avó Dezanove e o Segredo do Soviético”, de João Ribeiro (Portugal, Brasil, Moçambique), melhor longa ficção e “Mia Couto: Sou Autor do Meu Nome”, de Solveig Nordlund (Portugal) com o prémio especial do júri.

O jurado atribuiu ainda menções honrosas aos documentários “Ser Feliz No Vão”, de Lucas H. Rossi dos Santos (Brasil) e “Uma Força Extraordinária”, de Amandine Goisbault (Brasil) e ainda na vertente ficção à “A Barca”, de Nilton Resende e “Em Quadro”, de Luís Campos e Pedro Paulo de Andrade, também filmes brasileiros.

LN/CP

Inforpress/Fim

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