Cinco de Julho é marco de sintonia de todos os cabo-verdianos e da unificação com o mundo – PR

 

Cidade da Praia, 05 Jul (Inforpress) – O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca considerou hoje o 5 de Julho como um “marco de sintonia” de todos os cabo-verdianos e da unificação com o mundo pela sua “rica diversidade”.

Jorge Carlos Fonseca que discursava hoje na sessão solene da Assembleia Nacional alusiva ao XLII aniversário da Independência Nacional, disse ainda, que apesar da rica diversidade e os grandes avanços conseguidos, o país continua a ter “inúmeros desafios” e a enfrentar um crescimento económico “insuficiente”.

O chefe de Estado focou a sua afirmação nos homens e mulheres que têm levantado o nome e a bandeira do país para materializarem o espírito lutador, determinado e resistente do cabo-verdiano, assim como os vários esforços do governo para criar ambiente de negócios e contribuir para o crescimento económico.

Contudo, lembrou que a aceleração do crescimento económico é essencial, para a melhoria da vida das pessoas, desde que as reformas necessárias em áreas prioritárias sejam levadas à prática.

Neste âmbito, realça o facto de o turismo ser considerado um sector mais dinâmico da economia representando 20% dessa economia e do emprego nacional, mas chama a atenção sobre o porquê é que o fluxo turístico deva se retrair, apesar de todos os projectos de investimento em curso ou programados.

“A outra interrogação é a de saber se, com tal peso na economia, o turismo não deveria acrescentar mais valor do que tem feito até agora”, questionou.

Neste nosso processo de necessidade urgente de mais crescimento económico, é momento oportuno para se considerar formas de actividade económica que equilibrem os objectivos económicos, sociais e ambientais, afirmou.

A par isso, salientou que passadas as eleições que ocuparam quase todo o ano de 2016, não obstante os grandes problemas sociais e económicos que o país continua a enfrentar, vive-se no país num ambiente geral de “tranquilidade social” e “estabilidade política”.

As instituições funcionam, no essencial, de forma adequada, o jogo político processa- se dentro da normalidade e não se conhecem instabilidades sociais, frisou.

Contudo, lembrou que não se pode ignorar que os níveis de ansiedade decorrentes das grandes dificuldades por que passam parcelas importantes da população relacionadas com o desemprego e suas consequências, baixos rendimentos ou a não satisfação de reivindicações consideradas legítimas, podem contribuir para alguma instabilidade.

Sublinhou ainda a necessidade de se ter em conta o sentimento de insegurança que afecta parte da população dos principais centros urbanos, aliado a investidas do crime organizado que teima em fazer do país uma plataforma de tráficos ilícitos, constituindo perigo grave para a “estabilidade social”.

Mais do que isso e sendo um Estado liberal, indicou, o país deve ser um Estado forte para proteger os mais fracos, e evitar que os mais fortes imponham a sua vontade.

“Tenho acompanhado os esforços do Governo e sei do empenho das autoridades nesta área crucial. Ao mesmo tempo, o pulsar social diz-nos que são necessários sinais mais fortes de que a problemática da segurança das pessoas e bens está a ser tratada com sentido de urgência, e com uma visão estratégica clara e assumida por todas as instituições que se ocupam da segurança”, asseverou.

Jorge Carlos Fonseca recordou no seu discurso, que quarenta e dois anos depois da independência, é preciso organizar eleições, participar, votar, mas também, controlar os eleitos, respeitar a vontade da maioria, e sobretudo, respeitar e proteger as minorias, culturais, estrangeiras e políticas.

Destacou a problemática da regionalização como uma questão que deve ser enfrentada com celeridade, uma vez que existe um consenso segundo o qual ela é essencial para proporcionar um melhor desenvolvimento do país e uma redução das acentuadas e irrazoáveis assimetrias regionais.

Em um país arquipelágico, explicou, é fundamental que a organização do Estado seja de molde a ter as soluções mais próximas das comunidades; que as respostas sejam ágeis e em tempo oportuno; que se realize o sonho da redução das assimetrias e das insularidades e que o Governo da República seja liberado para questões que tenham mais a ver com o exercício da soberania.

“É tempo de dar o salto? Tenho a certeza que sim. Passar da visão estratégica – traçada para conduzir estas ilhas rumo ao desenvolvimento – à acção organizada – para a operacionalização da estratégia – implica em assumpção séria e responsável de um conjunto de acções voltadas para a consumação de uma reforma substancial, visível e sentida”, disse.

Quarenta e dois anos após a independência nacional, o chefe do Estado recordou no seu discurso, que as crianças continuam a ser vitimas de abandono, negligência e maus tratos, assim como abusadas sexualmente e vítimas de situação intolerável.

Mencionou ainda, estar atento à situação da juventude que se debate com vários problemas, e do uso abusivo de álcool e outras drogas.

No que respeita a posição de Cabo Verde junto da União Africana afiançou que o país sempre continuará a prestar a sua colaboração para a resolução dos conflitos que ainda, inquietam a sub-região.

Fez ainda menção a parceria existente com a CPLP e a parceria especial com a União Europeia, que tem sido benéfica para país e tem permitido estreitar as relações com vários países europeus.

Recomendou um olhar sobre a diplomacia do arquipélago, acoplando-a mais de perto os interesses estratégicos de longo prazo, visto que esta deve ser o instrumento que suporta, no plano internacional, a estratégia de desenvolvimento do país, tanto no plano da cooperação como, no desenvolvimento de relações empresais.

Por outro lado, prometeu ainda usar da sua magistratura de influência para sensibilizar as autoridades no sentido da melhor integração possível dos imigrantes.

“No dia em que celebramos os quarenta e dois anos como país que soube conquistar e preservar a independência e erigir um respeitado Estado de Direito Democrático, não posso deixar de render uma justa homenagem a todos os Combatentes da Liberdade da Pátria que tiveram papel de destaque nessa importante conquista do Povo cabo-verdiano”, declarou.

Neste âmbito, fez uma menção especial a Amílcar Cabral e a todos os Combatentes que já não se encontram entre mundo.

Inspirados nos exemplos e determinação que foram decisivos na afirmação da Nação, na conquista da Independência Nacional e na edificação da democracia, reiterou a sua confiança inabalável no futuro de Cabo Verde e a esperança de que o caminho que tem sido traçado “nos conduzirá em tempo adequado a bom porto”, enfatizou.

PC/FP

Inforpress/Fim

 

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