Cidade Velha não tem sido valorizada a nível de inscrição de verbas no OE para a sua recuperação – ministro 

Cidade da Praia, 26 Jun (Inforpress) – O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC), Abraão Vicente disse hoje que a Cidade Velha, enquanto Património Mundial não tem sido valorizado a nível de inscrição de verbas no Orçamento do Estado (OE) para a sua recuperação.

“A partir do momento em que a Cidade Velha foi classificada como património da humanidade, deveria haver obrigatoriamente uma verba no OE para a sua preservação e melhoramento”, defendeu hoje o governante no âmbito das comemorações alusivas ao 8º aniversário da elevação da Cidade Velha a Património Mundial.

Segundo o ministro “tem faltado ao longo dos anos uma planificação no sentido de se perceber a Cidade Velha como um assunto do Estado e não do MCIC e do Instituto do Património Cultural (IPC)”.

O ministro informou que o MCIC já apresentou ao primeiro-ministro e ao ministro das Finanças “projectos concretos” para a recuperação de alguns patrimónios históricos da Cidade Velha, nomeadamente a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, do Convento de São Francisco.

Também foi apresentado um projecto da Rua Calhau visando a sua valorização através da criação de pequenos postos de venda de produtos turísticos, informou o ministro aos jornalistas.

Projectos para vedação da Sé Catedral, projecto para sensibilização da população, são ainda outras propostas do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas anunciadas por Abraão Vicente que destacou ainda a necessidade de se “reflectir verdadeiramente” sobre a importância que Cabo Verde dá a Cidade Velha.

Na última visita técnica da UNESCO ficou claro que a Cidade Velha não corre o risco de perder o título, mas é preciso o investimento para a valorização do seu potencial turístico”, salientou o ministro, sublinhando que o sítio é um património da humanidade e que enquanto potencial turístico deve vir nas prioridades nacionais antes de Santa Maria, do Mindelo e da Boa Vista”.

Comemora-se esta segunda-feira, 26, o 8º aniversário da elevação da Cidade Velha a Património Mundial pela UNESCO.

A Cidade Velha, que dista cerca de 15 quilômetros da Cidade da Praia, foi declarada Património Mundial da Humanidade no dia 26 de junho de 2009, numa decisão da UNESCO, órgão da União das Nações Unidas (ONU) que cuida da educação e da cultura.

Para assinalar a data, o MCIC, a Comissão Nacional da Unesco (CNU), a Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago (CMRGS), a Paróquia de Cidade Velha e as Associações Comunitárias (Sphaera Mundi, Batucadeiras “Nos Eransa”) organizaram um conjunto de actividades direcionadas à comunidade estudantil e universitária e comunidades.

A realização de palestras no liceu e na Universidade de Cabo Verde cujo tema versa “O 8º Aniversário da Classificação da Cidade Velha. Os desafios da sua gestão” e “Cidade Velha e seus monumentos”, são algumas das actividades constantes no programa de comemoração.

Do programa constam também a apresentação e projecção de um filme sobre a Tabanka, enquanto Património Imaterial, feira de degustação de produtos tradicionais, uma visita com os alunos do município subordinada ao tema “Cidade Velha: Estórias e memórias, Tesouros Humanos Vivos”.

De acordo com um comunicado da organização, mais do que uma visita tradicional, centrada na história da Cidade Velha e seus monumentos, “a iniciativa pretende envolver e valorizar as vivências dos portadores de memória da Cidade Velha, evidenciando as lembranças menos conhecidas do sítio, enquanto espaço dessas vivências”.

A exposição sobre “Fomes em Cabo Verde: Causas e efeitos- 1580-1949”, exposição de livros sobre Cidade Velha, Animação Cultural CMRGS Largo do Pelourinho são ainda entre outras actividades programadas para assinalar a efeméride.

JL/FP

Inforpress/Fim

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