Cidade da Praia vai ter casa de atendimento para os sem-abrigo ainda este ano

 

Cidade da Praia, 16 Out (Inforpress) – A Câmara Municipal da Praia prevê, para este ano, investir numa casa para os sem-abrigo com o objectivo de assegurar serviços básicos de primeira necessidade como alojamento noturno, higiene e vestuários, refeição e apoio técnico especializado.

A informação foi dada hoje pelo edil, Óscar Santos, na cerimónia de abertura da jornada de reflexão sob o lema “Os sem-abrigos: de invisível ao visível”, indicando que a residência, denominada “Casa abrigo municipal”, vai ficar num espaço cedido pelo Governo, no centro da cidade, no Platô.

Na ocasião, Óscar Santos afirmou que as pessoas em situação de vulnerabilidade constituem uma problemática que assume dimensão mundial, mas que não tem merecido a devida atenção dos decisores públicos.

Entretanto, o autarca disse que as situações geradoras de exclusão social sempre foram e continuarão a constituir preocupação da edilidade para os próximos tempos.

“As políticas municipais estão directamente ligadas à promoção de direitos sociais. Promover a inclusão, através da identificação das causas da exclusão social, bem como os factores de risco associados a fim de conseguirmos um maior desenvolvimento social do concelho, constituem as preocupações da câmara”, sublinhou o edil.

Segundo Óscar Santos, o projecto “Anjos da Noite”, criado pela câmara, é uma das apostas da edilidade, que visa melhorar a condição de vida dos sem-abrigo na Cidade da Praia.

A equipa do “Anjos da Noite” trabalha diariamente em três bairros da Cidade da Praia, oferecendo uma refeição quente. Desde início do projecto até a data actual já foram cartografadas 82 pessoas em situação de sem-abrigo, que utilizam a rua como espaço de dormir.

De acordo com o levantamento efectuado em 2016, pela Câmara Municipal, só na Cidade da Praia existem 117 pessoas sem-abrigo, maioritariamente de sexo masculino.

O edil praiense disse também que a edilidade vai reforçar a sua luta para a erradicação da pobreza, na Cidade da Praia, ajudando a população nas situações de emergência social.

A Cidade da Praia tem uma taxa da pobreza de 11% da população urbana e 15% na Praia Rural. A maioria das famílias vulneráveis da população concentra-se nas zonas norte e oeste da cidade, zonas com maior índice de vulnerabilidade socioeconómica, informou o autarca.

“Há necessidade de se criar um referencial de trabalho social com o intuito de colmatar as necessidades dos munícipes que vivem em situações difíceis”, sublinhou Óscar Santos, que defendeu o envolvimento de todos, visando construir um movimento social para erradicar a pobreza, a fim de tornar a Praia, uma cidade cada vez mais inclusiva.

Por sua vez, em representação do governo, a directora-geral da Inclusão Social, Mónica Furtado, defendeu a necessidade de se reforçar as políticas públicas nesta área, visando dar resposta a esta problemática social em todo o país.

Face à situação, Mónica Furtado aconselhou uma maior articulação entre as instituições com vista a integração dos sem-abrigo.

A jornada de reflexão sob o lema “Os sem-abrigos: de invisível ao visível” visa reflectir sobre a problemática dos sem-abrigo na Cidade da Praia, e recolher subsídios para proporcionar as respostas sociais mais adequadas.

Esta terça-feira, 17 de Outubro, assinala-se o “Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza e dos Sem-abrigo”, efeméride, que destina-se a incentivar o esforço concentrado dos países em programas comuns de debate e a busca de soluções para esses problemas.

Em Cabo Verde, apesar de ainda não haver um número expressivo da população que vive nessa situação, nota-se, sobretudo nos maiores centros urbanos, uma tendência para o seu crescimento.

Em 2010, de acordo com os dados do Censo, o número dos indivíduos sem teto, a nível nacional, era de 192 pessoas, sendo 186 do sexo masculino e seis feminino.

JL/CP

Inforpress/Fim

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