Cidade da Praia regista 137 casos de paludismo, segundo a delegada de Saúde Ullardina Furtado

 

Cidade da Praia, 01 Set (Inforpress) – O surto de paludismo na Cidade da Praia continua a aumentar, tendo-se registado até ao momento 137 casos autóctones, revelou hoje a delegada de Saúde, Ullardina Furtado.

“De ontem para hoje tivemos mais seis casos”, precisou aquela responsável, em declarações à imprensa à margem de um encontro que teve hoje com um grupo de eleitos municipais do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) na Assembleia Municipal da Praia.

Instada sobre o que teria falhado para haver o surto da malária na capital do país, Ullardina Furtado respondeu nesses termos: “Não gostaria de falar em falhas, por ser algo que está a acontecer diferente. Estamos a fazer estudos e a analisar para ver o que é que aconteceu. O trabalho de luta anti vectorial é feito diariamente. Portanto, é uma rotina da Delegacia de Saúde. Convém falar, sim, em  estratégias, ou seja, se há necessidade de se mudar de estratégias. É bastante importante discutir a mudança de estratégias na nossa luta no terreno”.

Segundo a fonte, o estudo vai determinar se a comunicação, que vem sendo feita,  está a falhar, além de precisar se o insecticidade utilizado na luta anti-larval não está a criar resistência aos mosquitos.

Indagada se o produto utilizado não está fora do prazo, assegurou que só o estudo, a ser feito “na próxima semana”, poderá determinar isto, adiantando, porém, que pode estar a acontecer que estes insectos já tenham adquirido “resistência a estes produtos”.

“Vamos continuar a utilizar estes produtos até que tenhamos uma evidência científica de que o produto não funciona”, acrescentou aquela responsável.

Disse, por outro lado, que o país dispõe de “técnicos capacitados” para fazerem o referido estudo.

Relativamente aos cuidados a ter, Ullardina Furtado recomenda alguns, entre os quais evitar acumulação de lixos.

“Se o lixo for mal tratado ou estiver descoberto, haverá acumulação de pequenas quantidades de água que são favoráveis ao aparecimento de larvas de mosquitos que, depois de adultos, nos picam e provocam o paludismo”, indicou a delegada de Saúde da Praia, que, ainda, aconselha o uso de “roupas frescas, mangas e calças compridas que protegem das picadas dos mosquitos, principalmente durante a tarde”.

Quanto ao uso de repelentes, sugere também produtos caseiros feitos à base do álcool com cânfora, cravinho, óleo de bebé e limão.

A Direcção-Geral de Saúde de Portugal já aconselhou os cidadãos portugueses, sobretudo as grávidas a adiarem as suas viagens à ilha de Santiago, por causa do surto da malária.

Confrontada com esta decisão das autoridades sanitárias portuguesas em como isto poderá prejudicar o turismo tido como alavanca do desenvolvimento de Cabo Verde, Ullardina Furtado concorda com esta ideia, mas acha “normal” a posição dos responsáveis de Saúde de Portugal.

“É normal que um país com voos diários para Cabo Verde fique em alerta. Eles estão em alerta para salvaguardarem a sua saúde pública”, comentou, para depois lembrar que, quando se registou surto de sarampo em Portugal, o arquipélago esteve também com “antenas levantadas”.

Relativamente à parceria com a Câmara Municipal da Praia, garantiu que esta está a funcionar.

“A Câmara Municipal é a nossa parceira e contamos com eles todos os dias. Temos saídas que fazemos em conjunto todas as semanas, assim como encontros semanais com a equipa do saneamento”, salientou a médica.

LC/ZS

Inforpress/Fim

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