Chefe da Casa Civil nega que Casa Presidencial na Ilha do Sal esteja ao abandono

Cidade da Praia, 23 Jan (Inforpress) – O chefe da Casa Civil negou hoje que a Casa Presidencial no Sal esteja ao abandono, contrariando assim a “ideia que se tentou passar” na imprensa, após a visita do presidente da Fundação Amílcar Cabral ao espaço.

Manuel Faustino, que falava em conferência de imprensa na Cidade da Praia, disse que a “ideia que se tentou passar” e que se referiu era que o citado espaço está abandonado. Mas afirmou que se atentar as imagens vistas nas peças televisivas e o texto das mesmas irá se detectar “algumas contradições”.

“Por um lado, as imagens mostraram um edifício sem mobiliários, mas em boas condições. Na própria matéria referia-se que esse espaço tinha uma guarnição militar”, referiu Manuel Faustino atirando que “é contraditório” dizer que há um espaço que está abandonado e, ao mesmo tempo, dizer que esse mesmo tem uma protecção militar.

Na óptica desta fonte, seria “mais rigoroso, mais adequado e mais justo” dizer que “esse espaço está sem uso”. É que segundo defendeu, “o facto de não estar a ser usado, não significa, necessariamente que está abandonado, até porque as pessoas que estiveram lá, em comemoração ao 20 de Janeiro, solicitaram a Presidência da República a autorização para lá ir”.

Para o chefe da Casa Civil, há um outro elemento “importante” a ser referido, que é o facto de se ter noticiado que há uns anos o espaço, “importante e que se diz que deve ser preservado, por questão de respeito, memória…”, tinha sido posto à venda e que “só não terá sido vendido porque o preço teria sido astronómico, nas palavras do jornalista”.

Entretanto, Manuel Faustino sugeriu que dever-se-ia perguntar porque que é que não se fez uma adaptação do preço solicitado às condições do mercado para se alienar este imóvel.

“Não se perguntou, mas eu vou dar a resposta”, continuou aquele interlocutor arrematando que as autoridades que pretenderam vender este espaço foram aconselhadas a não o fazer, pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca.

“Apenas por isso é que esse espaço não foi alienado. Desaconselhou, exactamente, pelas razões que estão sendo invocadas agora, porque é um espaço importante e fundamental para a história do país, onde tiveram acontecimentos fundamentais para o país e para a África, nomeadamente para a África Austral e o presidente disse não concordar que esse espaço seja alienado”, ajuntou.

Conforme avançou Manuel Faustino, a Casa Presidencial na ilha do Sal vai ser utilizada “numa perspectiva de preservação histórica, de desenvolvimento cultural e até com implicações turísticas importantes”.

“Já se deveria ter avançado? Sim. Estamos inteiramente de acordo”, acrescentou aquele responsável, concordando que já se passou muito tempo, mas que as pessoas hão-de compreender que “as coisas não são tão simples”, até porque o aproveitamento desse espaço, de uma “forma condigna”, naturalmente, exige estudos e “toda uma séria de tramitações e concertações entre departamentos que, por acaso, ainda não estão concluídas”.

Na mesma comunicação, Manuel Faustino adiantou que há um processo que está em curso com uma universidade checa e com “participação activa” de quadros nacionais, nomeadamente do arquitecto Fernando Santos, quem aliás representou a Presidência nas discussões em termos arquitectónicos com o Governo chinês, no âmbito da remodelação do Palácio da Platô, com o objectivo de preservar a traça original.

“O arquitecto Fernando Santos e outros técnicos cabo-verdianos têm estado em discussão com uma universidade checa, exactamente na perspectiva de se dar um destino adequado a um espaço onde se vai preservar essa tal memória histórica que é fundamental e essencial, mas onde vai ter uma representação de todas as ilhas do país para o visitante tenha uma noção desse património político que se fez referência, que é fundamental, mas que conheça um pouco de Cabo Verde o máximo possível de Cabo Verde”, informou.

Prosseguindo, o chefe da Casa Civil referiu que “esse processo está relativamente adiantado”, numa fase em que se está a discutir o cenário e qual a melhor forma de parceria em termos financeiros para concluir os estudos e levar a cabo o projecto.

Questionado o porquê de não se ter antes divulgado este projecto, Manuel Faustino adiantou que é um processo que está em curso e que, por exemplo, há determinados departamentos que ainda não pronunciaram, estando a Presidência a aguardar.

“Achamos que não é de bom-tom proceder a uma divulgação quando há departamentos que ainda não se pronunciaram e que são fundamentais neste processo”, acrescentou aquela fonte, dando conta que já há potenciais financiadores disponíveis.

Quanto ao nome do futuro espaço, Manuel Faustino avançou que há uma “designação provisória”, o Centro do Património Cabo-verdiano, mas que poderá haver alterações.

“Queremos que nos próximos meses se estabeleçam os acordos que têm que ser estabelecidos para que se arranque com o processo”, finalizou.

GSF/CP

Inforpress/Fim

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