Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

CEDEAO suspende Guiné-Conacri e pede libertação imediata de Alpha Condé

Ouagadougou, 08 Set (Inforpress) – Os líderes dos Estados-membros da CEDEAO suspenderam hoje a Guiné-Conacri dos seus órgãos de decisão e decidiram enviar uma missão ao país, apelando para a libertação do Presidente, detido num golpe de Estado no domingo.

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) “decidiu suspender a Guiné-Conacri de todos os seus órgãos de decisão e solicita que estas decisões sejam aprovadas pela União Africana e pelas Nações Unidas”, apontou o ministro do Negócios Estrangeiros do Burkina Faso, Alpha Barry, após uma cimeira realizada por videoconferência.

De acordo com o governante, citado pela agência France-Presse (AFP), uma “missão de alto nível” será enviada para a Guiné-Conacri na quinta-feira para “discutir com as novas autoridades”.

Segundo Barry, após esta missão, que tem, atualmente, uma duração indeterminada, a CEDEAO “irá rever as suas posições”.

O chefe da diplomacia do Burkina Faso referiu ainda que os líderes da organização regional “exigiram o respeito pela integridade física do Presidente Alpha Condé”, que foi deposto no domingo, e a “libertação imediata” do chefe de Estado e de todos os que foram presos.

Alpha Barry apelou ainda aos militares para “colocarem em prática um processo que permita um regresso rápido à ordem constitucional normal”.

Alpha Condé, que governou a Guiné-Conacri desde 2010 até ao passado domingo, foi derrubado e preso por membros do Grupo das Forças Especiais do Exército do país, liderado pelo tenente-coronel Mamady Doumbouya, que justificou o golpe como uma ação para criar as condições para o Estado de direito.

Os golpistas dissolveram as instituições de Estado do país no passado domingo. Foi instituído um recolher obrigatório noturno, e a Constituição do país e a Assembleia Nacional foram ambas dissolvidas.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou “qualquer tomada de poder pela força das armas”.

Na segunda-feira, o líder militar prometeu uma “consulta global para descrever as principais linhas da transição”, que “se abre sob o signo da esperança e de uma nova Guiné reconciliada consigo mesma, com todos os filhos do país”.

A Guiné-Conacri realizou eleições presidenciais no passado dia 18 de outubro, na qual Condé concorreu a um controverso terceiro mandato, impedido pela Constituição do país, e após a realização de um referendo em março de 2020 para alterar a Carta Magna, aprovado com 91,5% dos votos.

Condé venceu as presidenciais com 59,5% dos votos, segundo os resultados homologados pela Comissão Nacional Eleitoral Independente (CENI) do país; e Diallo, cujo partido denunciou a existência de uma “fraude em larga escala”, teve 33,5% dos boletins escrutinados.

Diallo acabou por se autoproclamar vencedor das eleições, o que levou as forças de segurança a sitiar a sua casa em 20 de outubro, proibindo todas as entradas e saídas.

Oito dias mais tarde, as forças de segurança retiraram o cerco, após a CEDEAO, a União Africana (UA) e a ONU terem exigido esse levantamento.

A Guiné-Conacri, país da África Ocidental, que faz fronteira com a Guiné-Bissau, é um dos mais pobres do mundo e enfrenta, nos últimos meses, uma crise política e económica, agravada pela pandemia de covid-19.
Além da Guiné-Conacri, integram a CEDEAO o Benim, Burquina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.

Inforpress/Lusa/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos