CEDEAO: Presidente do Parlamento cabo-verdiano aponta migrações e sub-emprego jovem como desafios actuais

Cidade da Praia, 25 Abr (Inforpress) – O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Santos, apontou hoje as migrações e o sub-emprego jovem do espaço da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) como “desafios do momento” que precisam de “respostas urgentes”.

Para Jorge Santos, ao presidir, na Cidade da Praia, à cerimónia de abertura da reunião deslocalizadas da Comissão Mista da administração, finanças, controlo do orçamento e auditorias/trabalho, emprego, juventude, desporto e cultura do Parlamento da CEDEAO, o tema “Os desafios da imigração ilegal e do sub-emprego dos jovens na África Ocidental” escolhido para a referida jornada de trabalho é “pertinente”.

“Não podemos ficar indiferentes ao drama da emigração clandestina de africanos para a Europa, que ceifa vidas, alimenta tráficos e provoca um verdadeiro drama humanitário”, considerou o presidente do Parlamento, propondo que se encontre um modelo de cooperação e desenvolvimento com o espaço da União Europeia que contribua para combater as causas do flagelo da emigração clandestina.

Segundo Jorge Santos, é preciso promover um ambiente institucional propício e incentivar os governos na construção de um ambiente de “bem-estar e felicidade” nos países da sub-região e de todo o continente africano, assim como encontra formas correctas de identificar e dar combate às redes de tráfico humano.

Quanto ao desemprego jovem, o chefe da casa parlamentar é de opinião que é preciso ter sempre presente que é na juventude que se encontra a “força e as soluções que suportará o futuro”, motivo para não se continuar a ter esta camada sem trabalho, sem escola, sem formação, sem capacitação.

“Temos que construir um futuro de formação e qualificação dos nossos jovens. É prioritário promover a iniciativa e o mérito e valorizar a capacidade de assumir riscos, de lutar e de vencer”, disse, notando que tal só acontecerá se os dirigentes e decisores de hoje, de que faz parte, traçarem um caminho para começarem a trabalhar.

Esta opinião foi partilhada pelo presidente do Parlamento da CEDEAO, Moustapha Cisse Lo, que considerou que os países da organização devem criar mais oportunidades às suas populações e, sobretudo, para os jovens dos Estados-membros, visto que está em jogo o futuro de uma geração que é afectada pelo desemprego.

“É nesta perspectiva que saúdo a criação do projecto de apoio à elaboração dos planos de acção nacionais para o emprego dos jovens na Comunidade. Um projecto que constitui uma pista para solucionar o problema da migração dos jovens da região para outros países em busca de oportunidades de emprego e melhores condições de vida”, sublinhou.

Por sua vez, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Fernando Elísio Freire, declarou que a escolha do “Os desafios da imigração ilegal e do sub-emprego dos jovens na África Ocidental” é “adequado”, porque são desafios que interpelam a governabilidade dos países, de uma forma geral, e com mais acuidade, no continente africano, pela “alta taxa da população jovem”.

Para o ministro, a CEDEAO já dispõe de uma Abordagem Comum sobre a Migração assente no binómio Migração e Desenvolvimento, mas realçou que “urge, a montante” uma implementação efectiva desses instrumentos, pela via da apropriação, tanto pelas instituições comunitárias, como pelos Estados membros.

“O Governo de Cabo Verde encara com muita responsabilidade a problemática da migração ilegal e desemprego jovens, o que requer um debate objectivo e aprofundado nas diferentes dimensões, sobre as consequências negativas daí decorrentes, a que nenhum Estado está imune”, lembrou.

Fernando Elísio Freire observou que, “os riscos e a complexidade” da adequação migração clandestina/sub-emprego, requerem abordagens comuns, através da criação de condições para erradicar a pobreza, o acesso a uma educação de qualidade, o emprego produtivo e trabalho decente para todos, num quadro de equidade de género e desenvolvimento sustentável.

O governante ressaltou que, Cabo Verde, tem vindo a intensificar a cooperação com a CEDEAO com vista a implementação da “Visão 2020” que pretende transformar a “CEDEAO de Estados” numa “CEDEAO de Pessoas” para que os cidadãos estejam no centro das preocupações das políticas sub-regionais.

DR

Inforpress/Fim

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