Caso profanações: Grupo de São Domingos exige justiça e responsabilização dos actores envolvidos no processo (c/áudio)

Cidade da Praia, 28 Jun (Inforpress) – O denominado grupo de São domingos acusado de profanar templos católicos na década de 90 exigiu hoje que justiça seja feita e que os actores e inventores do processo que o conduziu à prisão “ilegal e abusiva” sejam responsabilizados.

Em declarações à Inforpress, o porta-voz do grupo, Filomeno Rodrigues, afirmou que a exigência do referido grupo surge na sequência da aprovação, em Conselho de Ministros, do diploma que atribui uma pensão às vítimas da tortura do partido único em São Vicente e Santo Antão.

“O referido diploma está sendo objecto de discussão e votação na sessão parlamentar que neste momento decorre no parlamento, por isso queremos aproveitar essa oportunidade para assinalar também um dos momentos tristes que marcou a história no nosso país”, apontou, referindo que o “acto das profanações ocorreu não no período do partido único, mas em plena democracia”.

Conforme lembrou, os integrantes do grupo de São Domingos foram apresentados ao país e ao mundo como sendo actores das profanações das igrejas e lugares de culto católicos pertencentes a uma associação criminosa, ajuntando que na decorrência dos crimes lhes foram imputados, a violência, tortura, maus tratos, calúnia e difamação pelo Governo de então que é a mesma maioria de hoje.

Os actos praticados em violação de domicílios, apreensão de pertences, espancamento, apreensões arbitrárias, ameaças de morte e tortura, segundo o porta-voz do grupo, foram praticados contra cidadãos cabo-verdianos inocentes e indefesos e sem a possibilidade efectiva de apelo ou reparação jurídica.

“Para a recolha de provas e reconstituição dos crimes, os inspectores André Semedo, António Claret, entre outros da PJ, iam a São Domingos, aos nossos domicílios, recolhiam sapatos, viaturas e impressões digitais e na posse dessas apreensões os inspectores, mais os agentes da PJ portuguesa, iam depois às igrejas profanadas, pintavam os sapatos e impressões digitais, filmavam e obrigavam os presos a indicarem as janelas e portas por onde entraram”, disse.

“Fomos torturados e moralmente assassinados na praça pública, rejeitamos acção similar pela via de decreto, mas exigimos que os actores e inventores do processo que nos conduziu à prisão ilegal e abusiva sejam responsabilizados. E chamamo-los pelos próprios nomes porque foram actos cometidos em plena democracia, no auge da liberdade”, declarou.

Segundo este responsável, o grupo não está a reivindicar que seja indemnizado pela via do decreto como anunciado pelo Governo relativamente às vítimas de torturas de 1975 e 1977, mas sim que seja feita a justiça e a responsabilização daqueles que, conforme realçou, mexeram com a honra e bom nome das cinco pessoas acusadas de profanação.

“Nós não queremos ser indemnizados pela via do decreto esses actos foram praticados em plena democracia, portanto não queremos que nos seja concedida a pensão ou qualquer outra compensação monetária por esses actos. A justiça nos foi negada porque o processo da nossa incriminação foi concebido e executado pelo próprio governo”, declarou, estranhando, por outro lado, que os processos desapareceram e nunca chegaram a ser julgados no tribunal.

Integram o denominado grupo de São Domingos José Filomeno Rodrigues, José Maria Lima, João dos Anjos Semedo, José da Moura e António de Brito, pessoas essas que o porta-voz garante que são inocentes e que exigem justiça e que vão continuar a batalhar para que a sua inocência seja provada.




CM/JMV

Inforpress/Fim

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