Campus Aminga de formação desportiva e educacional caça novos talentos em São Vicente  

*** Por Carina David, da Agência Inforpress ***

Mindelo, 14 Jul (Inforpress) – Aminga, palavra indígena para pedir às pessoas para parar o que estão a fazer e ajudar para um bem maior, é o mote que envolve 128 jovens num campus desportivo e educacional na Escola Salesiana do Mindelo.

O projecto, que vai na sua segunda edição, foi criado pela atleta cabo-verdiana de voleibol Zina Gomes e a sua irmã mais velha Elizabete Gomes, ligada ao andebol, juntamente com o irmão Betinho Gomes e a esposa Sofia Ramalho Gomes, ambos basquetebolistas, ex-atletas do Benfica e internacionais por Portugal.

Trata-se de um projecto de formação que visa dar oportunidades aos jovens através do desporto e da educação, disse à Inforpress a presidente do conselho directivo do campus, Zina Gomes.

“Esta é a segunda edição.  No ano passado, fizemos o projecto piloto com mais de 50 participantes, aprendemos muito e este ano quisemos dar esta oportunidade a mais participantes e conseguimos trazer mais de 128 alunos. Convidamos alunos dos 13 aos 18 anos de todas as escolas secundárias da ilha de São Vicente para se inscreverem e quase que triplicamos o número”, explicou.

O objectivo deste campus, adiantou a mesma fonte, é promover a prática de andebol, voleibol e basquetebol e aulas de artes, informática e inglês com professores internacionais, além de docentes locais.

“Os educadores são de Inglaterra, dos Estados Unidos, temos um brasileiro que é o Renato Gomes que foi o 4º lugar nas Olimpíadas de Pequim em 2008 que está a fazer a parte do voleibol e também que vem de Portugal, temos um formador que vem de Bolívia e outro de Estados Unidos”, precisou, salientando que o staff de professores voluntários se sente em casa, fala bem da comida e da cultura cabo-verdianas, pelo que o campus é, sobretudo, um “intercâmbio cultural e de conhecimentos”.

Segundo a treinadora e basquetebolista internacional portuguesa, Sofia Gomes, além da formação desportiva e educacional também querem descobrir e premiar novos talentos.

Prova disso, salientou, é que na primeira edição premiaram dois jovens de 17 anos com bolsas de estudo, e neste momento estão a estudar na academia de basquetebol em Portugal, a MVP Academy, e a competir no campeonato português.

“Levamos o Diego Alves, que ganhou o MVP do campus e foi premiado com uma bolsa total, e o Tiago Barros, com uma bolsa de estudos parcial, que neste momento está aqui em São Vicente a participar na 2ª edição do campus”, destacou a basquetebolista, que espera descobrir novos atletas.

“Temos essa parceria que nos permitiu levar dois atletas e esperamos que este ano consigamos fazer novamente a descoberta de talentos e levar mais atletas para Portugal”, prognostica Sofia Gomes, para terem melhores condições, continuou, que é o que “falta um pouco em Cabo Verde, as infra-estruras necessárias”, para que se possa juntar as duas vertentes que são desporto e educação.

Tiago Barros, por seu lado, que foi um dos premiados com bolsas de estudo na 1ª edição, é a “prova viva” da concretização deste sonho.

Para o jovem de 17 anos, que foi convidado a participar nesta 2ª edição, a experiência é “enriquecedora”.

“Está a correr bem e espero que seja melhor que o ano passado”, declarou, ao mesmo tempo que classificava o evento de “bom” como aprendizado e “uma experiência para ganhar, não só da minha terra, mas com pessoas de outros lugares”.

No Aminga, os jovens também recebem formação sobre dinâmica de grupo ministrado pelo psicólogo e artista Batchart.

Uma formação que, segundo Batchart, visa desenvolver as suas competências (soft skills), que não são propriamente desportivas, mas que vão melhorar “consideravelmente” a sua prestação como atleta.

“Estou aqui a fazer um trabalho com eles na construção de equipa (team building) que vai-lhes ajudar a criar uma noção de unidade de grupo. É feito fora do contexto do desporto, mas quando estão dentro do campo isso vai-lhes servir”, explicou a mesma fonte, que também usa a sua influência de artista para prender a atenção dos jovens.

“Uso essa influência como um capacete azul que permite criar uma identificação nos jovens e ter possibilidade de me aproximar deles. O facto de não ser uma pessoa desconhecida vai criar um vínculo, o caminho já está feito, conhecem as minhas letras e músicas então aproximam-se e isso ajuda-os a desbloquear os ouvidos para receber o que lhes vou dizer falado e não cantado”, frisou.

O campus é promovido pela ONG AMINGA-Youth Sports Development Program (Programa de Desenvolvimento do Desporto Juvenil) com sede em Miami, Estados Unidos da América, e certificada como organização cooperativa estrangeira sem fins lucrativos em Cabo Verde.

Esta segunda edição, que decorre até domingo, 17, conta com o apoio do Comité Olímpico Cabo-Verdiano COC), do Instituto do Desporto e da Juventude (IDJ) e da Fundação Benfica, entre outros parceiros.

CD/AA

Inforpress/Fim

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