Camaronês mobiliza grupo e percorre 260 quilómetros para apoiar “Tubarões Azuis” (c/áudio)

***Por Carina David, da Agência Inforpress*** 

Mindelo, 24 (Inforpress) – Collince, 34 anos, camaronês, que se diz “cabo-verdiano de alma”, mobilizou 15 pessoas nos Camarões com quem viajou 260 quilómetros para apoiar hoje a selecção de Cabo Verde no jogo com o Senegal, no Estádio Kouekong em Bafoussam.

Quando o árbitro argelino Lahlou Benbraham der início do jogo, às 15:00, a contar para os oitavos-de-final do Campeonato Africano das Nações (CAN’2021), o coração de Collince “vai pulsar” por Cabo Verde, tal como os cabo-verdianos, garantiu o jovem farmacêutico, em entrevista à Inforpress por videochamada.

A paixão de Collince por Cabo Verde, revelou, surgiu em 2012, quando viu selcção vencer os Camarões por 2-0, no Estádio da Várzea, na Cidade da Praia, no jogo da primeira mão de qualificação para o CAN’2013. De lá para cá, afirmou, o amor foi crescendo. 

A partir de Douala, sua cidade natal, nos Camarões, começou a seguir tudo o que se relacionava com Cabo Verde, aprendeu sozinho a falar português e até já conheceu Vozinha, Garry Rodrigues, Ryan Mendes, Stopira e os técnicos da selecção nacional, Bubista e Humberto Bettencourt.

“Faço tudo o que posso para apoiar a minha selecção do coração. Há vários anos que eu gosto deste pequenino País. Por isso, organizei um grupo de 15 camaroneses, que também gostam dos “Tubarões Azuis”, e saímos de Douala para Bafoussam para assistir ao jogo, percorrendo uma distância de 260 quilómetros”, afirmou Collince, que também influenciou a mãe para apoiar Cabo Verde

“A minha mãe, neste momento, já aceitou a minha decisão e estávamos a pensar como viajar juntos para apoiar a selecção e apresentá-la à delegação cabo-verdiana. Ela gosta de ver e compreende a minha decisão”, explicou o jovem.

Optimista, Collince acredita que a selecção de Cabo Verde vai chegar longe nesta competição. É que, sustentou, os cabo-verdianos são jogadores com potencial técnico para rivalizar com o Senegal e “têm tudo o que é necessário para ganhar”.

A romaria deste jovem camaronês atrás dos “Tubarões Azuis” começou desde o dia 03 de Janeiro quando foi esperar a chegada da equipa aos Camarões.

Collince também saiu de Douala e fez quase 200 quilómetros até o Estádio Olembé, em Yaoundé, para apoiar Cabo Verde, que jogou com a selecção dos Camarões, país onde nasceu.

“Não consigo explicar este amor pelos Tubarões Azuis. É algo natural  e é como um homem amar uma mulher e não consegue explicar porquê. Assim como um homem que nasceu no corpo de uma mulher sinto-me como um cabo-verdiano que nasceu nos Camarões”,  afirmou este adepto, que nunca pisou as terras cabo-verdianas.

Contudo, aos poucos, contou, vai descobrindo as histórias deste arquipélago, através da Internet e já conhece a data em que se celebra o Dia dos Heróis Nacionais [20 Janeiro], que em Cabo Verde o sistema político é parlamentar, que  Ulisses Correia e Silva é o primeiro-ministro e que José  Maria Neves  foi eleito recentemente Presidente da República.

Além de pesquisar sobre como a política cabo-verdiana se comporta, Collince diz que conhece a música cabo-verdiana e gostaria de aprender a dançar o batuco, a coladeira, o funaná e a morna.  Mas explicou que as músicas que mais retém na memória são “Sodade”, cantada por Cesária Évora, e “Mudjer trabajadera”, interpretada pelo grupo Ferro Gaita.

“Apesar de ter nascido nos Camarões, não preciso de um passaporte para me sentir cabo-verdiano”, finalizou Collince que, hoje, quando forem 15:00, estará sentado numa das bancadas do Estádio Kouekong em Bafoussam, com mais 14 amigos camaroneses que percorreram 260 quilómetros para a apoiar Cabo Verde no jogo com o Senegal.

Cabo Verde defronta hoje o Senegal em jogo a contar para os oitavos-de-final do CAN’2021. 

Esta é a terceira participação de Cabo Verde numa fase final do CAN, depois das presenças em 2013, na África do Sul, e 2015, na Guiné Equatorial.

A 33ª edição do Campeonato Africano das Nações (CAN’2021) conta com a participação das 24 melhores selecções do continente.

A Argélia é a selecção detentora do título do Campeonato Africano das Nações, que conquistou em 2019, no Egipto.

CD/AA

Inforpress/Fim

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