Cada cabo-verdiano consome em média 206 Kg de cereal por ano – revela apresentador no debate sobre segurança alimentar 

 

Cidade da Praia, 16 Out (Inforpress) – Cada cabo-verdiano consume cerca de 206 Kg de cereal por ano, derivado do consumo de arroz, mas o consumo de hortaliça e frutas fica aquém do mínimo diário desejado, situando-se à volta de 400 gramas por pessoa.

A revelação foi feita hoje pela engenheira, Elsa Simões, durante a apresentação de um painel sobre o impacto do êxodo rural na segurança alimentar e nutricional, apresentado esta segunda-feira no âmbito das comemorações alusivas ao Dia Mundial da Alimentação, este ano sob o lema “Mudar o futuro da migração: investir em segurança alimentar e desenvolvimento rural”.

Segundo a engenheira, dados referentes ao Estudo Cabral elaborado em 2015, indicam que os sete produtos básicos da alimentação dos cabo-verdianos são o arroz, feijão, farinha de trigo, milho, leite, óleo e açúcar, sendo que a preferência são o pão e o arroz, ambos derivados de cereais não produzidos no país.

No referente ao consumo de hortaliças e frutas, que os mesmos estudos indicam estarem aquém do mínimo diário desejado e que se situa em 400 gramas por pessoa, existe um défice de 9 % a cobrir.

A par isso, lembrou que resultados preliminares de um estudo com base na ilha de Santiago, quanto à produção de regadio, comprovou que dentro de uma tipificação das explorações agrícolas, tendo em conta o grau de autossuficiência e de inserção no mercado, 86% das explorações têm mais de 80% de grau de autossuficiência e mais de 50% de inserção no mercado.

A apresentadora do tema que contestou os dados apresentados, foi mais longe ainda, ao afirmar da necessidade de se analisar os mesmos caso for verdade.

Sobre o impacto do êxodo rural face à segurança alimentar, referiu sobre a tendência mundial do aumento da população urbana e a diminuição da população rural, evidenciando dados do país referente ao Censo de 2010 que indicava que 66% da população vivia nas cidades e 34% em zonas rurais.

“De 1990 a 2016 o mundo rural cabo-verdiano perdeu no total 17 mil 892 pessoas o que corresponde a uma média anual de 688 pessoas. As causas mundiais do êxodo rural estão relacionadas com a procura de melhores condições de vida, melhores salários, fuga a desastres naturais e outros”, afirmou.

Por isso, sublinhou que é preciso que a segurança alimentar seja feita a partir de uma abordagem mais holística, apontando como exemplo o facto de, num mundo em que se produz alimento mais do que suficiente para alimentar todos os seus habitantes, apesar disso, em 2017 cerca de 815 milhões de pessoas passam fome.

Conforme sustentou, só assim se estabelece como acesso permanente da população uma alimentação suficientemente saudável, nutritiva e segura, e sem prejuízo para satisfação de outras necessidades básicas por forma a realizar o seu direito humano a alimentação adequada.

Lembrou, no entanto, que o maior desfaio do mundo actual é o de se conseguir alimentar uma população mundial que se calcula será de 10 bilhões de pessoas em 2050.

PC/FP

Inforpress/Fim

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