Cabo-verdiano morto no Brasil era refugiado da Líbia em Cabo Verde na altura da guerra contra regime de Muammar al-Gaddafi

 

Mindelo, 11 Abr (Inforpress) – O cabo-verdiano Luxor Dion Monteiro, 30 anos, morto no Brasil na passada sexta-feira, vítima de espancamento, era refugiado da Líbia enviado a Cabo Verde em 2011, aquando da guerra conta o regime de Muammar al-Gaddafi.

Na altura com 24 anos, o refugiado veio para Cabo Verde à procura de parentes maternos, uma vez que a mãe, de nome Zulmira Monteiro, falecida em 2004, vítima de doença prolongada, era natural de Santo Antão.

Numa entrevista concedida para uma reportagem ao jornal a Nação na altura, Luxor Monteiro revelou que nasceu em Cabo Verde mas viajou com a progenitora para o Senegal aos 06 anos de idade, onde a mãe casou-se com um líbio e foram viver na cidade industrial de Musrata, na Líbia.

Na mesma entrevista, o refugiado cabo-verdiano contou que depois de três meses nos campos de refugiado foi enviado a Cabo Verde, país por ele totalmente desconhecido, na esperança de encontrar algum parente que lhe pudesse acolher.

De acordo ainda com a mesma reportagem, em Cabo Verde Luxor Monteiro foi acolhido durante três meses pelos serviços da Comissão Nacional dos Direitos Humanos e Cidadania que também lhe ajudou a conseguir um estágio na fábrica de gelo no Porto da Praia, uma vez que era formado em técnicas de refrigeração na Líbia.

Com uma renda fixa que dava para o seu sustento foi residir no bairro da Várzea Acima, na Cidade da Praia, onde morava em “condições pouco dignas” dividindo o quarto com mais três colegas da Costa de África.

Fez amizade com a ex-secretária da Comissão Nacional dos Direitos Humanos e Cidadania, Irondina Fortes, e começou a frequentar a Igreja do Nazareno em Achada Santo António, na Cidade da Praia, mas depois perdeu o contacto, conforme avançou à Inforpress, Alberto Fortes, filho da secretária, que tinha ficado amigo da vítima.

A última informação do refugiado da Líbia em Cabo Verde, de acordo com a sua página no Facebook, é que este estava no Brasil em Março 2017, na cidade de Manaus, Estado do Amazonas, data em que fez a última comunicação naquela rede social.

Na sexta-feira, 07 de Abril, a imprensa brasileira noticiou a morte do jovem de 30 anos, identificado como refugiado cabo-verdiano, vítima de espancamento por um adolescente de 17 anos, em Matias Barbosa, município do Estado brasileiro de Minas Gerais.

De acordo com o jornal Globo, o cabo-verdiano, que vivia em condições de sem-abrigo, ainda foi socorrido e levado para o hospital mas não resistiu aos ferimentos e acabou por morrer naquela unidade hospitalar de Juiz de Fora, no mesmo município.

Luxor Dion Monteiro, segundo relata a imprensa estrangeira, tinha passaporte e permissão válida de residência até 2018.

A Polícia Civil pede que qualquer informação sobre parentes desse homem seja repassada ao IML, que fica na Rua Professora Carolina Coelho, no Bairro Granbery, em Juiz de Fora (Brasil).

Ao jornal a Nação, edição de 15 de Setembro de 2011, Luxor Dion Monteiro afirmou ainda que não queria vir para Cabo Verde e que no campo de refugiado era o número 09 a ingressar na fileira para ser acolhido pela Noruega, quando decidiram mudar a rota do seu destino e enviá-lo para o país de origem, que sequer sabia localizar no mapa.

Revelou também que tinha esperança que Muammar Gaddafi tomasse controlo da guerra e que a Líbia voltasse a ser como era antes, que apesar de uma lei dura era um país onde se vivia bem economicamente.

Tinha também esperança em estabelecer contactos com o padrasto que ficou retido em Tripoli, capital da Líbia, e centro dos conflitos.

Muammar Gaddafi morreu no dia 20 de Outubro de 2011, aos 69 anos, em Sirte, o último reduto de resistência de seus partidários.

Desde então, a Líbia viveu momentos de “caos, colapso económico, terrorismo e tensões políticas causadas pelas guerras civis”, que inibe qualquer ex-refugiado de regressar.

EC/AA

Inforpress/Fim

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