Cabo-verdiano é co-primeiro autor da descoberta da estrutura do complexo da descodificação da informação genética

Cidade da Praia, 23 Dez (Inforpress) – A revista Cell Press EUA publicou um artigo científico dos resultados da descoberta da estrutura do complexo que inicia a descodificação da informação genética, em que o cabo-verdiano Jay Brito Querido foi distinguido como co-primeiro autor.

Conforme uma publicação do cientista na sua página oficial do facebook, a publicação que saiu esta quarta-feira, é “mais um pequeno contributo para a ciência”, em que ele e os colegas conseguiram revelar a descoberta da estrutura do complexo que inicia a descodificação da informação genética (tradução do mRNA) nos tripanossomatídeos, revelando “aspetos únicos destes parasitas que podem servir de base para o desenvolvimento de novos fármacos mais eficazes e menos tóxicos”.

Os tripanossomatídeos, explicou, são responsáveis por várias doenças infecciosas que afectam milhões de pessoas em todo mundo, como a doença do sono (tripanossomíase africana), a doença de chagas e a leishmaniose.

Contudo, conforme disse, ainda não existem vacinas para a prevenção, sendo que o tratamento é feito à base de fármacos com elevados níveis de toxicidade.

Segundo Jay Brito Querido, a descodificação da informação genética (tradução do mRNA pelos ribossomas) é o principal alvo dos antibióticos existentes para o combate às infecções bacterianas. Ao contrário das bactérias, os tripanossomatídeos pertencem a um grupo chamado eucariotas, no qual também se incluem os humanos.

“A forma como nós, os eucariotas, descodificamos a nossa informação genética é muito semelhante entre nós. Por isso, não tem sido possível bloquear a descodificação da informação genética nos tripanossomatídeos sem bloquear as células humanas. A única exceção tem sido a utilização do Paromomicina (Humatin®) no tratamento da leishmaniose visceral (com as suas limitações), esclareceu o cientista.

Naquele artigo, frisou, revelaram várias características únicas no processo de tradução do mRNA nos tripanossomatídeos que não existem nos humanos e apresentaram vários possíveis alvos terapêuticos.

“Por isso, esta descoberta representa um importante contributo para o desenvolvimento de novas moléculas mais eficazes e menos tóxicas no combate aos tripanossomatídeos”, acrescentou Brito.

Durante o período em que fez parte do grupo liderado por Yaser (Estrasburgo), Brito Querido disse que demonstrou, pela primeira vez, “que é possível isolar e purificar o complexo que inicia a descodificação da informação genética nos tripanossomatídeos (tradução do mRNA)”.

TC/DR

Inforpress/Fim

 

 

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