Cabo Verde vai apostar no desenvolvimento da apicultura para aumentar a produção agrícola – ministro (c/áudio)

Cidade da Praia, 13 Nov (Inforpress) – Cabo Verde vai começar a desenvolver a apicultura, com vista a aumentar a produção agrícola, através da polinização e para garantir a segurança alimentar e nutricional da sua população.

A informação foi avançada hoje à imprensa, pelo ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, à margem de um ateliê para a criação da plataforma apícola em Cabo Verde, em que durante dois dias as partes interessadas vão identificar as prioridades do sector apícola e o desenvolvimento de advocacias.

Segundo o ministro, vários países em África têm uma cultura apícola consolidada e têm tido grandes rendimentos, e, Cabo Verde tendo abelha no seu ecossistema deve também desenvolver esta prática.

“A produção de frutas depende em grande medida da polinização, portanto se nós tivermos população de abelhas saudáveis e sobretudo tivermos uma boa técnica da colocação dos apiários em momentos chaves, durante a produção, em Cabo Verde estaríamos a aumentar a nossa produção”, informou.

Conforme disse, esse projecto será implementado nas ilhas agrícolas com maior vegetação na produção de mel e do pólen, nomeadamente Santo Antão, Fogo, Santiago, Brava, São Nicolau, mas também será implementada em ilhas menos agrícolas, como São Vicente, em que a aposta é no desenvolvimento de culturas em estufas.

“Há uma necessidade de desenvolver uma técnica de produção de abelhas para a polinização em estufa, por consequente nós teríamos de desenvolver a apicultura de forma adaptada às condições de cada ilha”, sublinhou.

Para Cabo Verde, informou, querem uma apicultura não só voltada para a produção das colmeias (como mel e pólen), mas sim uma apicultura que contribua para a polinização, com a produção de frutas e hortícolas.

Com a criação desta plataforma apícola, Gilberto Silva assegurou que as partes interessadas vão poder trabalhar no desenvolvimento da apicultura, no sentido de mobilizar recursos para o sector apícola, através de actividades de sensibilização para atracção de investimentos mais adequados e apoio orçamental do sector público.

Cabo Verde, segundo o ministro, precisa melhorar o conhecimento sobre a flora apícola, a dinâmica das colónias durante o ano, conhecer as principais ameaças e medidas de prevenção dessas ameaças, melhorar consideravelmente as técnicas adaptadas à realidade do país, conhecer melhor a biologia das abelhas e que variedades existem com vista a dominarem todas as técnicas inerentes à apicultura.

Em termos económicos, indicou, há países em que a apicultura representa muito e há outros que representam pouco, mas, defendeu, “o mais não é só o seu impacto económico, mas sim é a sua existência e o serviço que desempenham”.

No caso do arquipélago, disse que não existe condições para se ter uma “apicultura pujante” como noutros países com uma vasta área florestal, com espécies de valores apícola, que produzem grandes quantidades de mel e outros produtos como a cera, pólen e outros.

“Em Cabo Verde, evidentemente, que não estamos à espera disto. Não é isto que estamos a promover em grande quantidade, mas é ter uma apicultura que é possível ter e sobretudo assegurar que as abelhas existam e tenham saúde, que haja uma boa dinâmica populacional das abelhas, porque elas prestam um serviço ecossistémico muito importante, sobretudo no domínio da polinização”, advogou.

AM/ZS

Inforpress/Fim

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