Cabo Verde tem muitas oportunidades na CEDEAO, mas precisa definir de forma clara os seus objectivos – Comissário

 

Cidade da Praia, 05 Out (Inforpress) – Cabo Verde tem muitas oportunidades na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), mas precisa definir de forma clara e objectiva os seus objectivos e luta com determinação para a sua concretização.

A ideia foi defendida hoje pelo Comissário para as Tecnologias e da Comunicação da CEDEAO, Isaías Barreto, durante um seminário sobre “Cabo Verde na CEDEAO: constrangimento e oportunidades”, promovido na Cidade da Praia pelo Instituto da Democracia e Desenvolvimento (IDD).

Isaías Barreto começou por lembrar que o artigo 108 do tratado revisto da CEDEAO estipula claramente que países insulares, como Cabo Verde e os países sem o litoral, como a Nigéria, Burquina Faso e o Mali, devem merecer um tratamento diferenciado.

Enquanto membro da CEDEAO, sublinhou que Cabo Verde tem muitos desafios, mas também muitas oportunidades, desde logo a questão dos mercados para a expansão das empresas cabo-verdianas.

“Nós temos uma população de meio milhão de habitantes e na CEDEAO temos um mercado de mais de 300 milhões de habitantes. Quando as nossas empresas querem desenvolver-se, quando querem novos mercados, necessariamente temos que olhar para além-fronteiras e temos o mercado na CEDEAO”, exemplificou.

Por outro lado, adiantou que a CEDEAO é uma região extremamente rica em termos de recursos naturais como ouro, prata e petróleo e em termos de recursos agrícolas produz quase tudo.

Neste sentido, adiantou que Cabo Verde poderia direccionar a sua importação para a África ocidental, evitando custos já que não paga direitos alfandegários. Por outro lado, acredita que o arquipélago tem oportunidade de transformar esses produtos e exportá-los para a Europa, no âmbito da parceria com a União Europeia, para os Estados Unidos, no quadro do AGOA.

“Portanto, temos na região oeste africana uma oportunidade muito grande de expandirmos as nossas empresas e encontrar novas oportunidades de negócios”, disse, defendendo a necessidade de Cabo Verde reforçar a sua integração na África Ocidental, que, de resto é um dos pilares da parceria especial com a União Europeia.
Para aproveitar todas essas oportunidades, Isaías Barreto adiantou que as autoridades cabo-verdianas têm que definir de forma “clara e objectiva” quais são os objectivos do país e a partir daí “trabalhar de forma firme e determinada” para a materialização dos objectivos.

“Precisamos participar mais nas reuniões da CEDEAO. A Comissão da CEDEAO tem funcionários que devem trabalhar para propor projectos e iniciativas em prol da integração de todos os países, mas estou convicto que ninguém melhor que os cabo-verdianos para defender os interesses do país”, disse.

“É fundamental a participação plena e efectiva do nosso país nos encontros da região, para melhor podermos defender os nossos interesses e lutar com firmeza e determinação para a concretização desses objectivos”, sublinhou o comissário cabo-verdiano.

A CEDEAO integra Cabo Verde, Guiné-Bissau, Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Libéria, Mali, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.

MJB/JMV

Inforpress/fim

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