Cabo Verde tem mais de dez mil jovens diplomados no desemprego – informa directora-geral do Emprego

 

Cidade da Praia, 05 Mai (Inforpress) – A directora-geral do Emprego, Formação Profissional e Estágios Profissionais, Eurídice Mascarenhas disse hoje que existem no país mais de dez mil jovens diplomados desempregados, tendo sugerido a “reconversão profissional” para contornar a situação.

Eurídice Mascarenhas divulgou esses dados no segundo dia do fórum sobre a inclusão social promovido pela Universidade Jean Piaget de Cabo Verde, em que esteve em discussão o tema relacionado com políticas públicas para o emprego.

A esse propósito, o presidente da ONG Citi Habitat, Jacinto Santos que também apresentou um tema nesse fórum, comentou que se está perante um “exemplo dramático” da exclusão social no país.

Perante uma plateia constituída essencialmente por estudantes universitários, sendo alguns prestes a entrar para o mercado do trabalho, a directora- geral do Emprego indicou alguns incentivos fiscais que, segundo ela, o Governo está a disponibilizar às empresas que, pelo menos durante um ano, contratem jovens.

Além disso, reiterou Eurídice Mascarenhas, para as empresas que contratarem jovens, o executivo de Ulisses Correia e Silva vai assumir as despesas provenientes da previdência social.

Para esta responsável, neste momento impõe-se uma “reconversão profissional” de jovens diplomados que se encontram em situação de desemprego.

Na sua perspectiva, um dos aspectos que também o cabo-verdiano deve interiorizar é a cultura da produtividade, sem a qual nenhum país consegue desenvolver-se.

Por sua vez, Jacinto Santos, que discorreu sobre a economia social e solidária na mitigação da  vulnerabilidade, afirmou que “não há exemplo mais dramático de exclusão social do que ter mais de dez mil jovens diplomados no desemprego”.

Reconheceu que a economia social e solidária tem o condão de estar “enraizada” na cultura dos povos e com uma “capacidade de resiliência às crises”.

Na sua perspectiva, o Estado deve “repartir os seus recursos com as organizações da sociedade civil”, porque, prossegue, “assumem tarefas que são da responsabilidade deste”.

“Como o Estado não pode fazer tudo, então cabe-lhe o papel de apoiar as organizações da sociedade civil”, precisou.

Para ele, uma sociedade não pode concentrar-se “excessivamente na propriedade privada capitalista” e, também, “não pode funcionar excessivamente na propriedade pública”.

“Há que encontrar um equilíbrio entre as três formas de propriedade: a pública, que é de todos nós, a privada, que é dos seus donos, e a social, que é organizada sob várias formas de identidade”, considerou Jacinto Santos.

O trabalho informal foi também um dos temas que prenderam a atenção da plateia dos estudantes, tendo a sua apresentadora revelado que, neste momento, se regista um “aumento exponencial” no sector, onde predomina a mulher.

Segundo Damarís Lopes da Silva, do Instituto Cabo-verdiano da Igualdade e Equidade do Género (ICIEG), em Cabo Verde das 33.228 pessoas que são proprietárias ou promotoras de Unidades de Produção Informal (UPI), 62,5% são mulheres. Informou igualmente que do total de pessoas pobres existentes no país 53% são mulheres.

Citando o Estudo sobre o Sector Informal com uma Abordagem de Género, revelou que existe uma maior concentração de mulheres que trabalham no sector informal nas faixas etárias de 25 a 35 (5228 mulheres) e de 45 a 54 (5587), relacionando o primeiro dado com a idade reprodutiva.

“Os imigrantes da Costa da África e o Mundo Laboral Cabo-verdiano” foi um outro tema apresentado pela docente da Uni-CV (Universidade pública), Eufémia Rocha.

Segundo ela, no seio dos imigrantes da costa ocidental africana existe o sentimento de que os sucessivos governos de Cabo Verde “não têm dado a devida atenção ao papel dos imigrantes no desenvolvimento do país”.

“Ajudamos a construir estradas, hotéis de luxo e outras grandes obras e, no entanto, vivemos na miséria total”, queixam-se os imigrantes, citados pela investigadora Eufémia Rocha.

Os imigrantes, diz Eufémia Rocha, defendem que se lhes deve dar melhores condições de acolhimento, tendo em conta que Cabo Verde é um país de emigração e, por conseguinte, quer que os seus cidadãos sejam tratados lá fora com dignidade.

LC/FP

Inforpress/Fim

 

 

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