Cabo Verde tem enormes potencialidades para criação de empregos verdes – estudo

 

Cidade da Praia, 28 Abr (Inforpress) – Um estudo sobre o mapeamento das diferentes intervenções da economia verde em Cabo Verde, apresentado hoje, na Cidade da Praia, indica que o país tem “enormes potencialidades” para o crescimento da economia e a criação de empregos verdes.

O estudo foi apresentado no âmbito do ateliê nacional sobre “Economia verde em Cabo Verde e o potencial de criação de empregos”, promovido pelo Programa de Apoio à Estratégia Nacional de Criação de Emprego em Cabo Verde (PAENCE/CV), executado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo a consultora e coordenadora do estudo, Carla Janeiro, a economia verde enquadra iniciativas que levam em conta as preocupações económicas, sociais e ambientais.

“São actividades económicas que geram empregos e, simultaneamente, geram empregos decentes, em que a inclusão social é também uma preocupação e que tendem a contribuir para a resolução dos problemas ambientais”, explicou.

Durante o estudo, que teve a duração de cerca de dois meses, foram identificadas mais de 150 iniciativas em curso, sendo privadas e governamentais. Este número, de acordo com Carla Janeiro, representa uma pequena amostra do que está a acontecer em Cabo Verde.

“Portanto, acreditamos que existem muito mais iniciativas, que, pelas limitações do tempo a que estávamos sujeitos, não nos foi possível chegar através das visitas, das consultas bibliográficas e na Internet”, disse salientando o facto da economia verde não ser uma novidade no arquipélago.

Carla Janeiro, que se congratula com o facto de constar no programa do Governo a preocupação em estimular as questões da conservação da natureza e da economia verde, afirma que nas diversas áreas há grandes potencialidades para a criação de empregos verdes.

“Cabo Verde tem imensas potencialidades para o crescimento verde, nomeadamente no turismo, que é o sector que suporta economia actualmente. Este turismo pode ser um pouco sustentável, mais diversificado. Explorar a questão do turismo de natureza, da montanha, actividades náuticas”, apontou.

“Portanto, aproveito todo o potencial em termos de património natural e cultural existentes para o desenvolvimento de actividades económicas que geram empregos e valorizar os recursos endógenos”, recomendou.

Além do turismo, o estudo apresenta diversas medidas estratégicas para o fomento da economia verde ao nível da agricultura e da pecuária, da pesca, do artesanato, da água e saneamento, dos resíduos e da energia.

A coordenadora do PAENCE/CV, Dinastela Curado, chamou atenção, entretanto, para a necessidade da criação de empregos decentes, já que muitas vezes, segundo ela, “há sim empregos, mas não decentes”.

“Temos o caso dos resíduos sólidos. Este sector cria muitos empregos, mas nem sempre os empregos são decentes. São exercidos em condições muito precárias, com salários bastante baixos. Portanto, há necessidade desses empregos serem criados tendo em conta o aspecto do trabalho digno. Precaver em termos de saúde e da protecção social”, disse.

Outro aspecto importante tem a ver com a necessidade de se focar também nos empregos que poderão beneficiar jovens e mulheres que são a camada mais afectada pelo desemprego, segundo adiantou Dinastela Curado.

O encontro contou com a presença da directora-geral do Emprego, Formação Profissional e Estágios Profissionais, Eurídice Mascarenhas, que realçou a importância do emprego para economia nacional e a criação do emprego.

MJB/CP

Inforpress/Fim

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