Cabo Verde sobe quatro posições no ranking da Liberdade de Imprensa 2019

Cidade da Praia, 18 Abr (Inforpress) – Cabo Verde subiu quatro posições no ranking da Liberdade de Imprensa 2019, divulgado hoje pelo RSF revelando que o arquipélago se distingue pela ausência de ataques contra jornalistas e uma grande liberdade de imprensa, garantida pela Constituição.

De acordo com a edição de 2019 do ‘ranking’ mundial da liberdade de imprensa, divulgada hoje no site oficial dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF), apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A edição de 2019 adianta que a hostilidade contra os jornalistas transmitido em muitos países por lideranças políticas, resultou em actos de violência mais graves e frequentes.

O referido relatório aponta que o panorama mediático em Cabo Verde, país que ocupa o 25º lugar, é dominado pela imprensa estatal cujos funcionários directivos estão nomeados directamente pelo Governo, incluído o principal canal de televisão, TCV e a Rádio de Cabo Verde (RCV), ajuntando que ainda que o seu conteúdo não seja controlado, a “prática da auto-censura é generalizada”.

O documento, destaca que o órgão de comunicação do Estado quer impor aos jornalistas um código de ética e conduta incluindo várias clausulas que limitam a liberdade de expressão dos jornalistas nas redes sociais.

O desenvolvimento da mídia privada é limitado por um pequeno mercado de publicidade e pela ausência de subsídios para os operadores de audiovisual, indicando que a geografia do arquipélago também dificulta a distribuição da imprensa e dos meios de transmissão em todas as ilhas.

No Ranking de 2019, avança a mesma fonte, a Noruega mantém pelo terceiro ano consecutivo seu primeiro lugar, enquanto a Finlândia retoma a segunda posição, em detrimento dos Países Baixos, que caem uma posição onde dois repórteres especializados na cobertura do crime organizado foram forçados a viver sob protecção policial permanente.

De acordo com o mesmo documento, vários regimes autoritários perdem posições no Ranking, nomeadamente, Venezuela, Rússia, Vietnã, China, Eritreia, apontando que o ultimo lugar do Ranking de 2019 é assumido pelo Turcomesnistão.

Ameaças, insultos e agressões fazem agora parte dos “riscos ocupacionais” do jornalismo em muitos países, indicando que a Índia caiu duas posições registando assassinatos de jornalistas e o Brasil que desceu três posições este ano.

“Nesse clima de hostilidade generalizada, é preciso coragem para continuar investigando a corrupção, a evasão fiscal ou o crime organizado. A perseguição de jornalistas que interferem com os poderes estabelecidos parece não ter limite”, lê-se no relatório que lembrou do sórdido assassinato do editorialista saudita Jamal Khashoggi, cometido a sangue frio no consulado da Turquia em Outubro do ano passado.

O relatório prestou ainda especial atenção aos Estados Unidos, “onde um clima cada vez mais hostil se instalou na esteira da postura do Presidente Donald Trump em relação aos meios de comunicação” social.

A situação também piorou na Europa, com assassínios de jornalistas em Malta, na Eslováquia e na Bulgária, e ataques verbais ou físicos na Sérvia e no Montenegro, enquanto na Hungria o partido do Presidente Viktor Orbán “continua a desprezar os meios de comunicação social”.

Este ano, a América do Norte e do Sul registou a maior degradação do indicador regional e, de acordo com a mesma fonte, esse mau resultado não se deve apenas aos casos dos Estados Unidos, do Brasil ou da Venezuela, ressaltando, por outro lado que a Nicarágua perdeu 24 posições, uma das quedas mas significativas em 2019.

Apesar de uma deterioração menos severa este ano em seu índice regional, a região Oriente Médio e Norte da África continua sendo aquela em que é mais difícil e mais perigoso para os jornalistas exercer sua profissão, embora elucidou RSF, o número de jornalistas mortos em 2018 na Síria tenha diminuído ligeiramente.

A África teve a menor degradação regional da edição de 2019 do Ranking, mas também algumas das mais fortes progressões em relação ao ano passado, revelando que a Somália continua a ser o país da região mais mortal para os jornalistas.

A região Europa Oriental e Ásia Central mantém, ano após ano, ajuntou os RSF, seu penúltimo lugar no Ranking, asseverando que é nessa região que o indicador que avalia a qualidade do quadro legislativo é o mais degradado.

A região Ásia-Pacífico concentra todos os males que entravam o exercício do jornalismo e, este ano, apresenta um índice regional estável que a mantém entre as piores posições, acrescentando que sob a crescente influência da China, a censura está se espalhando para países como Cingapura e Camboja.

Os RSF é uma organização independente sediada em Paris, fundada em 1985 em Montpellier (França) por quatro jornalistas, que se tornou numa organização líder mundial na defesa e promoção da liberdade de informação.

CM/ZS

Inforpress/Fim

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