Cabo Verde quer montar sistema de informação e seguimento de casos de violência e abuso sexual de crianças

Cidade da Praia, 25 Abr (Inforpress) – Cabo Verde pretende implementar um sistema integrado de informação e gestão de casos de violência e abuso sexual contra a criança e adolescentes para ter dados reais e fidedignos desses casos de violação no país.

É com este propósito que técnicos nacionais de várias instituições sectoriais desde a protecção, a educação, a saúde, a inclusão social e a justiça participam hoje num ateliê, ministrado por uma especialista de protecção da criança do Escritório Regional da Unicef em Dakar, para a montagem desse sistema integrado de informação e gestão.

Este ateliê, segundo a coordenadora do programa do escritório comum do PNUD, UNFPA e a Unicef em Cabo Verde, Nélida Rodrigues, é importante porque permite a concertação entre essas instituições que trabalham na protecção da criança e definir as linhas para a criação do referido sistema.

A mesma fonte afirmou que o escritório regional respondeu positivamente a esta iniciativa porque Cabo Verde tem sido reconhecido pela Unicef e pelos seus parceiros como sendo um país que tem se engajado e que vem dando importância à prevenção e ao combate de todos os casos de violências em relação às crianças, com particular atenção para os casos de abuso e exploração sexual.

No entanto, apear de realçar a “força e o engajamento das instituições” cabo-verdianas, dos “programas e planos” que estão em seguimento em “vários domínios da vida da criança”, falta “articulação, sincronia e coordenação de sinergias.”

“Cabo Verde tem responsabilidade interna de acompanhar estes casos, mas também tem responsabilidades externa de informar o que é que está a passar no país. Temos tido imensas dificuldades em saber quais são os dados fidedignos, apesar de ser um país onde os dados não são camuflados, ou falsificados”, explicou Nelida Rodrigues.

Por isso, de acordo com a mesma fonte, se não houver um sistema integrado que permita dizer que os dados finais são fidedignos “o país acaba por ser visto na mesma linha que não querem divulgar os dados reais, o que não é o caso.”

Na mesma linha a presidente do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA), Maria do Livramento Silva, explicou que os relatos de abuso sexual de crianças e adolescentes chegam de diversas instituições, mas nem todas essas entidades têm a mesma forma de recolher, trabalhar e seguir essas informações.

Neste caso, ajuntou, para que as informações sejam fiáveis e comparáveis com os países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), onde o país está inserido é preciso uniformizar a recolha e o tratamento e o seguimento desses casos.

“É importante que tenhamos um sistema integrado que faça a gestão destes casos para que possamos dar melhor protecção às crianças e aos adolescentes”, sustentou a presidente do ICCA.

CD/ZS

Inforpress/Fim

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