Cabo Verde precisa de uma política de saúde mental – representante da OMS

 

Cidade da Praia, 07 Abr (Inforpress) – O representante da OMS, Mariano Catellón, defendeu hoje na Praia que Cabo Verde precisa de uma política de saúde mental e uma maior integração no modelo de atendimento primário.

Mariano Castellón fez esta declaração aos jornalistas no âmbito da conversa promovida pelo ministério da Saúde e da Segurança Social e a Organização Mundial da Saúde  (OMS) em Cabo Verde com grávidas e puérperas que aconteceu na manhã de hoje da maternidade do Hospital Agostinho Neto, sobre sob o lema “Depressão: Vamos conversar”.

“Cabo Verde precisa de uma política de saúde mental e também uma integração maior da saúde mental no modelo de atendimento primário (…), e também investir nos profissionais especializados, bem como envolver as pessoas afectadas e famílias para que possa haver uma responsabilidade social dessas pessoas e famílias” em complementaridade com o esforço feito pelo Governo, apontou.

Este representante aproveitou o momento para indicar às autoridades cabo-verdianas o “Plano de Acção Mundial até 2020” da OMS que, na sua óptica, “pode servir de referência para Cabo Verde preparar a nova direcção do plano e da política nacional no combate a esta causa”.

“Nós temos também um manual para treinar o pessoal no primeiro nível de atenção com os afectados para que desenvolvam habilidades para acompanhar a doença”, informou.

A conversa foi iniciada com entrega de flores a gravidas e puérperas em nome da Organização Mundial da Saúde e da Direcção do Hospital Agostinho Neto (HAN).

Ainda, no entender da mesma fonte, é “importante” levar em conta as pessoas que estão a participar na conversa em vez de “preocupar somente com números técnicos”, pois, para ele muitas vezes são famílias que têm nome, apelido e residem num bairro qualquer e que possivelmente podem ter outros filhos.

“É preciso levar em conta o lado humano do encontro porque as senhoras precisam conversar”, salientou, afirmando que a campanha pretende motivar aquelas que não se sentem bem a conversar sobre o seu mundo interior, com pessoas de confiança e profissionais de saúde.

“A depressão pós-parto a nível mundial acontece uma em cada seis mulheres parturientes”, disse, acrescentando que esta é uma oportunidade que o HAN possui de fazer uma pesquisa operacional, que pode servir de referência para outros serviços de Saúde no país para entender a prevalência desse problema em Cabo Verde.

Por seu lado, a psicóloga do HAN, Maria Dias avançou que a Depressão Pós-Parto constitui um dos transtornos mentais que acaba por afectar a puérperas após o parto e que na conversa vão abordar os sintomas e factores de riscos e como fazer para minimizar esta causa.

“Já temos casos concretos em Cabo Verde desta doença”, admitiu, justificando que a finalidade da conversa é dar a conhecer os sinais da mesma e motiva-las a procurar ajuda o quanto antes, uma vez que esta possui tratamento.

Maria Dias aconselha a prevenir a depressão pós-parto da seguinte forma: uma gestação planeada e com apoio do companheiro e da família. A mesma revela ainda que os sintomas que uma mãe apresenta quando sofre desta doença são, nomeadamente, sentir oprimida, choros constantes sem motivo aparente, falta de conexão com o bebé e culpa por não poder cuidar bem da criança.

A conversa contou com presenças de psicólogos do HAN, representantes do Ministério da Saúde e Segurança Social, e o representante da OMS em Cabo Verde, Mariano Salazar Castellón.

É de lembrar também que dentro do programa, várias atividades estão previstas para comemorar o Dia Mundial da Saúde, sob o lema: “Depressão: vamos conversar”.

AF/ZS

Inforpress/Fim

 

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