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Cabo Verde possui apenas 20 por cento da sua superfície arborizada, alerta o ministro do Ambiente

 

Cidade da Praia, 07 Jul (Inforpress) – O ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, destacou hoje, a necessidade de se reflorestar o arquipélago e lembrou que no país só 20 por cento da sua superfície está arborizada devido à intervenção humana.

Gilberto Silva falava na cerimónia de assinatura do contrato do projecto “Reforço das Capacidades e Resiliência do Sector Florestal em Cabo Verde”, a ser implementado nas ilhas de Santiago, Fogo e Boa Vista, e que foi rubricado pela FAO, União Europeia e o Governo, através do Ministério da Agricultura e Ambiente.

O governante, que se regozija com o projecto, disse que Cabo Verde por ser um pequeno estado insular em desenvolvimento e prolongamento do Sahel, no meio do oceano, com uma média pluviométrica que, muito raramente ultrapassa os 250 milímetros de chuvas, não tem florestas e para o ter “precisa de intervenção humana”.

“Logo este projecto vai contribuir para a luta contra a desertificação com planos concretos no que respeita à conservação do solo e da água, reflorestação com base em plantas que leve em conta o homem, assim como o reforço do quadro legal e das capacidades”, garantiu.

Ainda Gilberto Silva, o projecto que servirá como instrumento de política do Governo em matéria de aumento da residência e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, constitui oportunidade de emprego nas ilhas alvo da implementação.

O projecto, sustentou o ministro, chega a tempo, com a vinda das chuvas para que o país e os cabo-verdianos possam beneficiar do ano agrícola de 2017 e possam assim plantar e aumentar a resiliência tanto a nível nacional como global.

Assim, mencionou o facto de Cabo Verde ter sido um dos primeiros países que ratificou a Convecção de Luta contra Desertificação e a Convecção Quadro das Mudanças Climáticas, assim como o acordo de Paris, o que mostra, na sua opinião, todo o engajamento político dos sucessivos governos para fazer face à desertificação.

Para o embaixador da União Europeia (UE), José Manuel Pinto Teixeira, este acto enquadra-se na contribuição da UE para a implementação dos acordos de Paris sobre as mudanças climáticas, através de um instrumento financeiro existente para tal.

“É com muita satisfação que contribuímos para melhorar a capacidade de Cabo Verde para resistir e para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, mas também fazer parte de uma contribuição da União Europeia a nível Global”, disse.

De acordo com José Manuel Pinto Teixeira, o projecto hoje assinado ocorre num momento “muito importante” nas relações entre Cabo Verde e UE, e que tem a ver com a celebração dos dez anos da parceria especial.

Por sua vez, o representante da FAO em Cabo Verde, Rémi Nono Womdim, lembrou que, num país insular como Cabo Verde, é necessário medidas preventivas “urgentes”, particularmente, no domínio da reflorestação.

“Desta feita trata-se de um projecto de reforço de capacidade de adaptação resiliência do sector florestal, factor chave para enfrentar os riscos adicionais que as mudanças climáticas representam para a desertificação e a degradação da terra em Cabo Verde”, enfatizou.

O projecto, que visa promover a gestão participativa das florestas para se adaptar à desertificação induzida por mudanças climáticas nas comunidades das ilhas de Santiago, Fogo e Boa Vista, é financiado pela União Europeia com o montante de cinco milhões de Euros e pela FAO com o montante de 133 mil Euros.

Com duração de 4 anos, o projecto pretende reduzir a desertificação e a degradação da terra através de uma abordagem participativa para a promoção de uma gestão eficiente dos recursos naturais, assim como da reflorestação e renaturalização de áreas florestais.

O projecto visa ainda apoiar programas nacionais para manter o desenvolvimento económico e reduzir a pobreza entre mulheres, homens e jovens nas comunidades implementadas, assim como um recurso básico para os meios de subsistência, e promoção das questões de géneros e da gestão sustentável da água.

Em 2015, a UE tinha contribuído com 1,250 milhões de Euros para apoiar o país a lidar com a emergência de seca e em 2017 disponibilizou 7 milhões de Euros, através do apoio orçamental extraordinário, para lidar com os efeitos das fortes chuvas torrenciais na ilha de Santo Antão.

PC/ZS

Infropress/Fim

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