Cabo Verde está muito bem posicionado relativamente aos outros “sócios do Atlântico que integram o projecto Margullar- IPC (c/áudio)

Cidade da Praia, 18 Abr (Inforpress) – Cabo Verde está muito bem posicionado comparado com outros países do Atlântico, no que toca à identificação e georreferenciação das embarcações naufragadas, afirmou hoje o presidente do Instituto do Património Cultural (IPC).

Jair Fernandes falava em declarações à Inforpress, no final da V Jornada Transnacionais de Trabalho: “A conservação do património submerso” do projecto Margullar, que teve lugar no Centro Cultural da Cidade Velha, no município de Ribeira Grande de Santiago.

Durante os dois dias, os países que integraram este projecto, designadamente Cabo Verde, Açores, Madeira, Canárias, através do Cabildo de Lanzarote, e o Senegal, apresentaram o ponto de situação da implementação das acções desse projecto nos seus respectivos países.

Por parte de Cabo Verde, o IPC é parceiro deste projecto que visa o desenvolvimento de conhecimentos históricos e patrimoniais, no domínio da investigação, salvaguarda e valorização do legado subaquático do espaço da Macaronésia.

Para Jair Fernandes, foi “gratificante” ver que de todas as apresentações, “Cabo Verde está muito bem posicionado”, relativamente aos outros “sócios” do Alântico que integram o projecto Margullar.

“Prova disso, é que temos maior número de sítios georreferenciados, isso contando os 156 sítios identificados e georreferenciados de embarcações naufragados, ao contrário dos outros países que apenas apresentaram dois ou três sítios”, regozijou-se.

Por outro lado, realçou, esses países, atendendo aos recursos disponíveis, já têm em curso o processo de valorização, com a criação do roteiro turístico e a apresentação “in loco” desses achados, enquanto Cabo Verde vai começar agora a dar esses passos.

“Cabo Verde poderá agora oferecer um outro seguimento turístico, aliado ao desporto náutico, o turismo de mergulho associado aos naufrágios. A intenção é apresentar esses naufrágios in loco, ou seja, a pessoa que quiser visitar, ali, no fundo marinho, num espaço seguro e que podem oferecer informações adicionais e que também do ponto de vista de segurança não sejam fáceis de pilhar”, explicou.

Fez saber que já estão identificados os consultores que irão trabalhar com o IPC no processo de elaboração do plano de acção, cuja validação ou não estará a cargo da Comissão Nacional para a salvaguarda do património cultural e subaquático.

Este responsável realçou o facto de o país ter ratificado, há duas semanas, a Convenção da UNESCO para a salvaguarda do património cultural e subaquático e ainda a criação da Comissão Nacional para a salvaguarda deste património, empossados pelo ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, no dia 17.

Esses actos, disse, mostram “claramente” o posicionamento do Governo relativamente a matéria de salvaguarda e valorização sustentável desses recursos.

“Isto acaba por acasalar com uma estratégia governamental. Por um lado, a economia dos oceanos – a economia azul, por outro, o lema de Cabo Verde dentro da presidência pro tempore da CPLP em que os oceanos e a cultura têm um papel preponderante”, sublinhou.

No segundo e último dia da jornada, foi analisada a questão das boas práticas, desde a experiência museológica ou da museologia in situ em Espanha, passando pelo histórico das intervenções em Cabo Verde e apresentação dos resultados do projecto “CONCHA”.

Projecto este, cujo documento de mapeamento será entregue dentro de dias ao IPC, permitiu fazer o mapeamento e georreferenciação de todos os naufrágios estudados nas águas de Cabo Verde.

Com este documento em mãos, o responsável afirmou que agora vão pensar a médio e longo prazos quais as medidas para a sua protecção e, ao mesmo tempo, a sua valorização turística e patrimonial.

Em Cabo Verde estão identificados 156 navios naufragados, espalhados um pouco por todas as ilhas, como maior preponderância na ilha da Boa Vista.

Como forma de dar a conhecer todas às informações sobre a localização georreferenciada desses naufrágios, Jair Fernandes informou que vão disponibilizar na página do IPC todo o acervo histórico e arquivístico para quem quiser aprofundar um estudo mais cientifico e académico sobre o assunto.

AM/JMV

Inforpress/Fim

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