Cabo Verde conseguiu ultrapassar muitas questões no saneamento que existem em outros países africanos – catedrático

Mindelo, 09 Set (Inforpress) – O professor catedrático do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa José Saldanha Matos assegurou hoje, no Mindelo, que Cabo Verde, com o seu “conhecimento e inteligência”, conseguiu ultrapassar muitas questões de saneamento existentes ainda em outros países africanos.

Baseando na sua experiência em Moçambique, onde nasceu, mas também de outros territórios com quem tem colaborado, este especialista considerou que, diferente de outras realidades do continente, Cabo Verde apesar das “dificuldades de desagregação territorial” e com uma “gestão mais complicada”, consegue ainda assim ter características, que fazem com que não atravessa muitos dos problemas de saneamento, mesmo com “muita falta de água e de energia”.

“Cabo Verde mesmo assim, com o seu conhecimento, com a sua inteligência conseguiu ultrapassar muitas questões que ainda em outros países africanos existem”, disse este professor catedrático, que ministra a partir de hoje, até sexta-feira, uma formação em saneamento líquido, promovida pela Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS) e destinada a técnicos de ilhas como São Vicente, Sal, Santo Antão, Maio e Santiago.

Muitas coisas, segundo a mesma fonte, têm acontecido no país e que tem aproveitado desde 2015 para usar em outras paragens, entre as quais os investimentos para o controle das perdas de água e ainda na economia circular, isto é, de se utilizar os produtos do tratamento de água como matéria-prima para outros sectores da economia.

José Saldanha Matos apontou o exemplo da Estação de Tratamento de Água Residual (ETAR) de Ribeira de Vinha, em São Vicente, que tem utilizado esta água tratada para a agricultura, e que até tem “características fertilizantes” e que pode também ser utilizado para outros fins.

“Fazer para o saneamento é uma oportunidade de criar valor”, reforçou o professor universitário, adiantando que a acção formativa, de cinco dias, versará sobre tendências do mundo e os desafios de Cabo Verde, numa parte teórica e outra prática.

Mesmo assim, conforme a mesma fonte adiantou à imprensa nesta manhã, os problemas de saneamento em Cabo Verde são diversos, uma vez que a precipitação no arquipélago é “muito baixa” e há necessidade de investimento em infra-estruturas de tratamento para não haver contaminação e necessidade de formação para “gerir bem” estes investimentos para que cumprem os objectivos.

O director-geral da ANAS, António Pedro Pinto, considerou, por seu lado à Inforpress, que “não adianta produzir água para o abastecimento sem se preocupar com a sua reutilização”, ainda mais tendo em conta a escassez hídrica típica do arquipélago e com tendência de agravamento com as alterações climáticas.

Então esta formação, que esta na quinta edição, vai criar, defendeu, os alicerces para que os técnicos tenham o domínio nas diferentes fases de tratamento no saneamento líquido e responderem as exigências.

A vereadora do Saneamento da Câmara Municipal de São Vicente, Carla Monteiro, ressaltou a pertinência da realização do curso na ilha, considerada a com “maior taxa de ligação domiciliária pública de esgotos” e que sedia a primeira ETAR construída em Cabo Verde, que trata o esgoto da cidade para reutilização na rega agrícola.

“Estudos têm sido realizados e projectos elaborados, com vista a melhoria do produto final e ter uma utilização segura da água tratada”, garantiu a vereadora.

A cerimónia de abertura da acção formativa contou com a participação do responsável do projecto de Água e Saneamento de Luxemburgo, Luca Bernasconi, quem financia o curso.

LN/CP

Inforpress/Fim

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