Cabo Verde apoia Guiné-Bissau a acolher de volta os arquivos de Amílcar Cabral tratados pela Fundação Mário Soares (c/áudio)

Cidade da Praia, 29 Jan (Inforpress) – O Governo de Cabo Verde vai ajudar as autoridades guineenses na transferência para o País dos arquivos de Amílcar Cabral que foram recuperados e estão depositados na fundação Mário Soares, em Portugal.

Esta garantia foi dada hoje pelo ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, ao embaixador da Guiné Bissau na Cidade da Praia, M´Bala Alfredo Fernandes, durante um encontro que teve lugar esta terça-feira.

Segundo o ministro, Cabo Verde já disponibilizou para apoiar técnica e financeiramente a Guiné Bissau no sentido de estar em condições de acolher os arquivos de Amílcar Cabral, recuperados e expostos na Fundação Mário Soares.

“Após as eleições vamos ver as condições para que Guiné-Bissau acolha esses arquivos. Neste sentido já disponibilizei os serviços e assessoria técnica do Instituto do Património Cultural (IPC) e do Arquivo Nacional de Cabo Verde para a preparação do espaço e da instituição que irá receber os arquivos”, precisou.

Abraão Vicente disse ainda que caso seja necessário o Ministério da Cultura está na disponibilidade de apoiar também financeiramente nesse processo através de um fundo existente no seu ministério.

O governante aproveitou a oportunidade para esclarecer que nunca houve uma discussão sobre onde é que esses espólios deveriam ir, ou que os mesmos deviam vir para Cabo Verde em detrimento da Guiné Bissau.

“Os arquivos pertencem a Guiné-Bissau porque saíram da Guiné Bissau. Só em caso de a Guiné-Bissau não ter condições e dizer isso, formalmente a Cabo Verde, é que o arquipélago poderá, eventualmente, acolher os escritos e os aquivos”, disse salientando que Cabo Verde e Guiné-Bissau têm de assumir a história comum, sublinhado que tudo aquilo que tem a ver com  Amílcar Cabral tem de ser tratado com maior discrição e máxima seriedade.

O embaixador da Guiné Bissau, M´Bala Alfredo Fernandes, congratulou-se com a “mão solidária” de Cabo Verde” no sentido de ajudar o seu país a levar aquilo que considera ser uma grande obra deixada pelo pai da nacionalidade cabo-verdiana e guineense.

“São manuscritos do pai da nacionalidade, são documentos do PAIGC. Manuscritos originais e alguns CD e livros importantes que foram digitalizados na altura pela fundação Mário Soares, a quem agradecemos porque os arquivos estavam totalmente estragados. Queimados pela tropa senegalesa e desprezados nas ruas da Guiné Bissau”, disse.

“Neste momento nós viemos cá, a nossa diplomacia funcionou e recebemos da parte do Governo de Cabo Verde uma grande mão de solidariedade em ajudar que os arquivos voltem para Guiné-Bissau…”, acrescentou.

Questionado se da parte da Fundação Mário Soares há a abertura no sentido de permitir o regresso dos arquivos, o embaixador explicou que existem documentos que regulam tudo.

“Na altura houve um acordo que foi assinado entre o Governo da Guiné Bissau e a Fundação Mário Soares e nunca se pôs isso em causa. Nós temos só que agradecer a Fundação Mário Soares e agradecer o comandante Pedro Pires e neste momento agradecer também o Governo de Cabo Verde”, disse.

A transferência dos arquivos só deverá acontecer depois das eleições, conforme indicou o embaixador.


MJB/FP

Inforpress/fim

 

 

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