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Burkina Faso assinala 34º aniversário da morte de Thomas Sankara

Ouagadougou, 16 Out (Inforpress) – O Burkina Faso assinalou o 34º aniversário da morte do “pai da revolução” do país, Thomas Sankara, assassinado em 15 de Outubro de 1987, e cujo busto na universidade com o seu nome, na capital, foi revelado na sexta-feira.

“Esta obra colocada à entrada da universidade é um trabalho de recordação e memória para as actuais e futuras gerações de professores e estudantes”, disse a viúva de Thomas Sankara, Mariam Sankara, na inauguração do busto, em Ouagadougou.

“O meu sonho é que esta estátua nos lembre diariamente da revolução liderada no nosso país por Thomas Sankara e os seus camaradas entre 1983 e 1987. Será a imagem de um líder que amou o seu país e que se dedicou à sua transformação, brutalmente interrompida pelos inimigos do Burkina Faso”, acrescentou Mariam, citada pela agência France Presse (AFP).

Mariam Sankara, que reside habitualmente em França, esteve na capital para assistir ao julgamento dos alegados assassinos do seu marido, morto num golpe de Estado em 15 de Outubro de 1987, juntamente com 12 dos seus camaradas.

O julgamento teve início na segunda-feira, perante o tribunal militar da capital, mas foi suspenso até 25 de Outubro.

Presentes na abertura do julgamento estiveram 12 dos 14 arguidos, incluindo o general Gilbert Diendéré, um dos principais líderes do Exército do Burkina Faso durante o golpe. Já o antigo Presidente do país Blaise Compaoré, principal arguido, que vive exilado na Côte d’Ivoire, não esteve presente no tribunal, dizendo que não queria participar num “julgamento político”.

O actual Presidente, Roch Marc Christian Kaboré depositou hoje uma coroa de flores junto à estátua de Sankara erigida em 2019 no local onde foi assassinado.

Esta cerimónia não contou com a presença de Mariam Sankara, que discordam da criação de um memorial no local onde o “pai da revolução do Burkina Faso” morreu.

O memorial Thomas Sankara consiste actualmente apenas na estátua, mas acabará por incluir uma torre com 87 metros de altura — em referência ao ano da sua morte –, uma sala de exposições, um museu e uma biblioteca.

Thomas Sankara, que chegou ao poder num golpe de Estado em 1983, foi morto com 12 dos seus companheiros por um comando durante uma reunião na sede do Conselho Nacional da Revolução (CNR) em Ouagadougou. Tinha 37 anos de idade.

Thomas Sankara deixou uma marca indelével em África, onde ficou conhecido com o “Che Guevara Africano”.

Líder icónico, assumiu o poder muito jovem, com apenas 39 anos, na sequência da revolução de 04 de Agosto de 1983, onde combateu ao lado dos seus irmãos de armas e se assumiu como “protagonista de uma história fantástica de amizade e solidariedade entre as revoluções africanas dos anos 80”, na expressão de Carine Kaneza-Nantulya, diretora para os Assuntos Jurídicos na divisão de África da organização não-governamental de defesa dos direitos humanos norte-americana Human Rights Watch, em declarações à Lusa.

Logo no ano seguinte à sua chegada ao poder, Sankara mudou o nome do país, numa tentativa de enterrar com as insígnias da República do Alto Volta a herança do poder colonial francês. O país de Sankara passou a chamar-se República Democrática e Popular do Burkina Faso, que significa “país do povo honesto”.

O “Che Africano”, que queria “descolonizar as mentalidades” e perturbar a ordem mundial através da defesa dos pobres e oprimidos, acabaria por ser assassinado em 15 de Outubro de 1987, juntamente com 12 dos seus companheiros que faziam parte do núcleo duro da sua “entourage” política.

Inforpress/Angop

Fim

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