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Brexit: Pacote financeiro para áreas pobres do Reino Unido visto como “suborno”

Londres, 04 Mar (Inforpress) – O governo britânico anunciou hoje um pacote financeiro de 1,6 mil milhões de libras (1,9 mil milhões de euros) para áreas pobres do Reino Unido, medida descrita pela oposição como um “suborno” a deputados para aprovarem o acordo do ‘Brexit’.

O ‘Fundo Cidades Mais Fortes’ destina-se a regiões com taxas de crescimento inferiores à média nacional, como o norte e o centro do país, que vão receber mais de 60%, destinado a criar novos empregos, a formar pessoas e a impulsionar actividade económica.

“Durante muito tempo no nosso país, a prosperidade foi distribuída injustamente. A nossa economia tem funcionado bem em alguns lugares, mas queremos que tenha impacto em todas as comunidades”, afirmou a primeira-ministra, Theresa May, num comunicado.

Segundo May, “comunidades por todo o país votaram no ‘Brexit’ como uma demonstração do desejo de ver uma mudança – tal deve ser uma mudança para melhor, com mais oportunidades e maior controlo”.

Mas alguns deputados da oposição acusaram o Governo de estar a tentar aliciar deputados do Partido Trabalhista eleitos em círculos eleitorais que votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) no referendo de 2016.

John McDonnell, dirigente do partido Trabalhista, declarou que o fundo “cheira a desespero de um Governo reduzido a subornar deputados”.

Anna Soubry, dissidente do Partido Conservador que se juntou ao novo Grupo Independente no parlamento britânico, disse que “o investimento em competências e formação é sempre bem-vindo, mas é preciso ver o que está por detrás deste novo fundo e ver o que é – uma medida desesperada para comprar votos”.

O anúncio acontece 25 dias antes da data do ‘Brexit’, numa altura em que o governo continua a tentar negociar com Bruxelas alterações ao acordo que consigam receber o apoio do parlamento, depois de o documento ter sido inicialmente chumbado em Janeiro.

A primeira-ministra prometeu submeter um acordo reformulado para votação na Câmara dos Comuns até 12 de Março, à qual se poderão seguir, se o texto for novamente reprovado, votos para sair da UE sem um acordo ou para adiar o ‘Brexit’.

Tendo em conta a maioria reduzida no parlamento e a existência de deputados do próprio partido Conservador que são contra o ‘Brexit’, Theresa May precisa, não só de convencer deputados eurocépticos, mas também deputados do Partido Trabalhista para garantir que o acordo de saída é aprovado.

Alguns deputados do ‘Labour’, como Caroline Flint, têm declarado abertamente estarem dispostos a apoiar o governo contra a direcção do partido da oposição para honrar o voto dos eleitores que representam no referendo de 2016.

Inforpress/Lusa

Fim

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