Brava/Artesanato: Rendeiras clamam por uma “melhor atenção” do Governo na esperança de um ano melhor

Nova Sintra, 19 Jan (Inforpress) – A diminuição da procura dos produtos das rendeiras do projecto Renda Brava e a falta de apoios paralisaram este sector do artesanato local e as artesãs clamam por uma “melhor atenção” do Governo para que o ano 2021 “seja diferente”.

Amélia Ramos, rendeira há mais de 50 anos, explicou à Inforpress que está neste trabalho porque “é algo que gosta” e em tempos já obteve “muita coisa” com rendimentos arrecadados com a confecção e venda de rendas, exemplificando com a construção da sua casa.

Entretanto, nos dias de hoje, considera a situação como sendo “precária e desanimadora”, não tendo desistido, ainda, devido ao amor que nutre por esta arte.

“Estamos no “stand bê”. Com a situação pandémica, as vendas estão más. Entretanto, continuamos a produzir, porque já é algo que temos no sangue”, disse a rendeira.

Segundo a mesma fonte, pelo Natal tiveram alguma saída, mas de então para cá não tem havido solicitações de nenhuma encomenda significativa, principalmente para o exterior.

Com 62 anos de idade, diz ter começado a fazer rendas desde os 9 anos e é por isso que não está a perder as esperanças e nem cruzar os braços.

Tanto é que, conforme enfatizou, o projecto Renda Brava vai reiniciar e já há uma “luz verde” de que as rendeiras que fazem parte do mesmo vão beneficiar de um salário mensal.

Juntamente com Amélia Ramos encontrava-se a Alcídia Dias, que entre lágrimas expressou a sua dor com esta situação, realçando que desde o início da pandemia estão condicionadas e mesmo com trabalhos prontos à espera de compradores não têm tido saída.

Segundo a rendeira, havia encomendas para enviarem ao exterior logo no início da pandemia, mas não foi possível e desde a altura até este momento não houve nenhuma outra solicitação.

Mas, a fé e o amor destas rendeiras não lhes deixam desistir, afirmando que “a fé é que as coisas venham a melhorar” e que os dias rosas possam voltar, porque é desta arte que ganham o pão de cada dia.

Relembrou que já houve tempo em que por mais produzissem o rendimento era certo, porque a procura era maior, mas agora “tudo é incerto”.

Nesta mesma onda, Alcídia Dias pede ao Governo que “veja com outros olhos as mulheres que seguem esta tradição”, uma vez que nunca receberam nenhum apoio durante a pandemia, e para que o ano possa ser “realmente melhor” é preciso um “empurrãozinho”.

MC/JMV

Inforpress/Fim

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