Brava: Presidente do Sindprof alerta que pendências com a classe estão a se amontoar

Nova Sintra, 28 Jun (Inforpress) – A presidente do Sindicato Democrático dos Professores (SINDPROF) disse hoje que o sindicato está consciente de que as pendências da classe docente não vão diminuir, mas alertou que estão a se amontoar.

Esta sindicalista fez esta declaração em entrevista à Inforpress, em modo de balanço de um dia “intenso” de visitas e encontros em quase todas as escolas da Brava, realçando que existe um memorando assinado entre o sindicado e o Ministério da Educação (ME), onde o ministro se comprometeu a resolver as pendências da classe até 2023.

Entretanto, Lígia Herbert realçou que os anos vão se passando e há pendências que continuam arquivadas até então.

“A nível do Ensino Básico continua-se a ter professores 1 A, 3C e solicitamos uma lei medida, porque são pessoas quase no fim da carreira e precisam ir para a casa com uma aposentadoria com o mínimo de dignidade”, indicou a mesma fonte.

Igualmente, realçou que há professores que reivindicam a questão do subsídio pela não redução da carga horária, que muitas vezes foi dito que era automático, mas os professores devem saber que os pedidos devem ser feitos na delegação para que seja dado entrada na plataforma e devem recolher os recibos para depois reivindicarem os seus direitos.

Na questão da transição dos professores, exemplificou com casos de professore que já estão há muito tempo no 8 A, que conforme explicou são professores que o sistema diz que não têm a vertente pedagógica, mas salientou que para o sindicato a vertente pedagógica não é o papel, mas sim o desempenho das funções do professorado, pedindo para que esses professores sejam também passados para 9 A.

A nível das reclassificações referiu que dos anos 2017 a 2021 ainda estão à espera, evidenciando que além da reclassificação, o professor é um “eterno concursado”, fazendo concurso para entrar, concurso para promover e para este segundo informou que não está a acontecer desde o início do Estatuto em 2015, reforçando que até esta data “todos os professores se encontram estagnados na carreira”.

“É preciso que se resolva as pendências da classe docente, embora estas não vão desaparecer, mas o que acontece é que estão a amontoar e é complicado quando as pessoas dizem que já se resolveram isso ou aquilo, que é evidente que resolveram algo, mas que há questões desde 2016 para se resolver”, enfatizou.

Diante destas situações, demonstrou-se “preocupada”, pois, ressaltou que o “ME está preocupado com as inovações tecnológicas, com a introdução de sistemas, quando primeiramente se deva pensar na pessoa humana, neste caso o professor, o primeiro pilar na educação e depois as máquinas”.
“Seis anos com professores estagnados, por isso achamos que o ME deve preocupar-se mais com isso e ter um olhar mais humano para os professores que auferem um salário baixíssimo e que não conseguem dar resposta ao poder de compra que se depara no país e no mundo em geral”, defendeu a sindicalista.

Além destas questões, deixou claro que o sindicato continua a defender a necessidade da existência do Ensino Superior na região Fogo e Brava, onde um satélite esteja na Brava, pois sublinhou que sem o Ensino Superior os profissionais da ilha sejam de qual área for ficam estagnados na carreira, quando vêm os colegas nas outras ilhas evoluírem na carreira.

“O professor não pode abandonar o local de trabalho para ir estudar na cidade Praia, daí é preciso criar condições porque senão ter-se-ia um êxodo total e a Brava ficaria mais isolada”, enfatizou, destacando que é preciso ver a educação com igualdade e equidade.

Outra questão que considera “um erro” e que está a contribuir para a estagnação da ilha é a metodologia do Governo apoiar de acordo com o número populacional, justificando que há municípios que têm um número populacional maior, mas têm escoamento e como conseguir verbas.

Mas, acentuou que quando se conta com o número populacional da Brava e o apoio para as câmaras vêm de acordo com o número, a evolução da ilha vai ficar estagnada, sugerindo que é necessário ver que quem mais precisa é aquele que menos condições tem, para que haja uma evolução.

Quanto ao sindicato, deixou claro que vão continuar a trabalhar com a classe da ilha, fazendo recolha de todos os documentos para entregar ao ME, assim como dar voz às suas reivindicações e anseios, e depois dar à classe uma resposta.

MC/JMV
Inforpress/Fim

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