Brava: PR diz que danos provocados pela derrocada em Fajã d’Água “são elevadíssimos” e exigem muito trabalho

São Filipe, 27 Jan (Inforpress) – O Presidente da República disse hoje à Inforpress que os danos provocados pela derrocada de rocha que deixou isolada a localidade de Fajã d´Água, na Brava, “são avultadíssimos” e exige “muito trabalho” para garantir passagem por esta via.

Depois de constatar, no terreno a situação provocada pela derrocada do passado dia 21 e que tem a ver com a morfologia da ilha Brava, José Maria Neves disse que é preciso reconhecer os trabalhos que as autoridades nacionais e locais têm feito, designadamente as Estradas de Cabo Verde (ECV) e todo o esforço do governo para gerir e garantir a reparação da estrada de acesso à Fajã d´Água.

Apesar dos trabalhos realizados, o chefe de Estado disse que a via é “extremamente perigosa e condições precárias de navegabilidade”, destacando o esforço e o trabalho que está sendo feito para garantir a saída das pessoas pela via pedestre, que segundo o mesmo, já é um esforço grande que as autoridades nacionais e locais estão a fazer.

“Agora é preciso encontrar uma solução definitiva. Também nesta matéria o Governo já está a equacionar”, referiu o Presidente da República, indicando que a construção de uma estrada alternativa, também exigirá avultados recursos de investimentos para que se possa garantir, de uma forma mais durável, o acesso à Fajã d ́Água que é uma comunidade com grande potencialidade de desenvolvimento turístico da ilha Brava.

O chefe de Estado lembrou que a única via de acesso à Fajã d’Água foi construída na época colonial, adiantando que é “muito perigosa” e que não terá muitas condições para funcionar, a não ser que se faça grandes investimentos com avultados recursos.

“Todo o troço perto da zona que de Fajã d´Água precisa de intervenção e são intervenções caríssimas”, referiu José Maria Neves, adiantando que apesar da atenção que o Governo e as autoridades locais têm dado, percebe-se que é difícil a manutenção dessa estrada.

No dizer do Presidente da República, especialistas e geológicos afirmam que esta estrada está condenada e que é preciso uma estrada alternativa e o governo já está a estudar isso, esperando que se encontre uma solução o mais rapidamente possível.

A via alternativa seria entre Palhal e Esparadinha, numa extensão de cerca de quatro quilómetros, tendo a equipa das Estradas de Cabo Verde (ECV) efectua um percurso e está na linha do que os especialistas dizem que seja a melhor solução, salientou.

O Presidente da República deixou uma mensagem de solidariedade, observando que a visita de menos de seis horas é no sentido de estar presente e ver a comunidade e a dimensão dos problemas, sublinhando que há problemas ligados ao sector turístico com investimentos privados que existem e as pessoas vão perder, assim como de estudantes do ensino básico e secundário que não vão para os estabelecimentos de ensino.

“Deixar um abraço e reconhecer que as autoridades nacionais e locais estão a fazer um esforço para o mais rapidamente possível desbloquear a situação”, disse, acrescentando que o importante é esta atenção que as autoridades nacionais e locais têm dado em relação à situação.

 

A equipa das estradas de Cabo Verde que se encontra na ilha informou ao Presidente da República que uma equipa de topógrafos chega ainda hoje a Brava para levantamento topográfico da zona envolvente onde ocorreu a derrocada da rocha para definir os trabalhos para a estabilização da área, mas também para o levantamento dos dados relativos a construção da via carroçável alternativa.

A derrocada terá consumido mais de 50 metros da via e com uma profundidade de 10 metros.

Igualmente encontra-se na ilha Brava, o presidente do Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros (SNPCB), Domingos Tavares, com o objectivo de inteirar e analisar, no terreno, a situação.

Este disse que já se encontrava na ilha o Comandante Regional do SNPCB, juntamente com a equipa das Estradas de Cabo Verde para o levantamento preliminar e que vão produzir um relatório para poder definir os passos a serem dados, juntamente com a Câmara Municipal da Brava, para minimizar o sofrimento da população de Fajã d´Água.

A via pedestre está sendo construída e a previsão é que os trabalhos sejam concluídos neste fim de semana, mas continua o problema da mobilidade a nível de circulação de veículos e as autoridades estão a trabalhar para criar as condições para repor a circulação.

Domingos Tavares disse que Cabo Verde, em si, apresenta riscos e lembrou que na quarta-feira aconteceram tremores de terra nas ilhas de Santo Antão e São Vicente, indicando que é necessário estar sempre atento e preparado para seguir os aconselhamentos das autoridades.

José Andrade, empresário do ramo do sector hoteleiro, com empreendimento em Fajã d´Água, conservou com o Presidente da República sobre a situação, observando que a população está consciente de que vive numa zona de perigo, acrescentando que “obrigatoriamente as autoridades têm que pensar numa segunda via alternativa para Fajã d´Água”.

“Gostaríamos de receber o PR numa outra ocasião e não nesta situação, mas é sempre bom e é normal que se interessa pelos nossos problemas e dificuldades. Esperamos recebê-lo em outras ocasiões”, disse.

JR/CP

Inforpress/Fim

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