Brava: População de Cachaço “clama” por “uma gota de água” para sobrevivência das pessoas e dos animais

Nova Sintra, 10 Jun (Inforpress) – A população da localidade de Cachaço diz-se “revoltada” com a Empresa Intermunicipal Águabrava, que “passa semanas sem disponibilizar água” aos moradores, originando “consequências graves”.

Segundo o porta-voz da comunidade, José Pires, passam semanas sem enviar água e todos os moradores ficam “ao pé das torneiras dia e noite” para verem se “um milagre acontece”, porque a situação está “a cada dia mais crítica”.

Os que têm condições e moram perto da estrada, indicou, compram água auto-transportada, mas os que não possuem ficam sem nada, à mercê de uma “caneca” que as pessoas que compram podem oferecer.

“Não há água para cozinhar, não há água para beber, não há água para higiene pessoal, não há água para lavar roupas, muito menos para os animais”, elencou o porta-voz, acrescentando que os animais ficam rondando as casas, entrando nos quintais à procura de uma gota de água para “matar a sede”.

Não obstante, a água para o uso diário, o porta-voz diz estar “mais preocupado” com a situação dos animais, numa zona onde a população vive da criação de gado e “não há água disponibilizada pelo menos pelo autotanque que transporta água de Palhal para outras paragens”.

“A localidade de Cachaço está sendo discriminada pelas instituições responsáveis pelo fornecimento de água. Fazemos um pedido na delegação do Ministério da Agricultura para disponibilizar-nos água para os animais no autotanque, mas nem sempre somos atendidos”, reforçou o morador, acrescentando que os moradores estão a “exigir mais respeito e dignidade”.

A mesma fonte disse que a população possui conhecimento e sabe que há problemas de água na ilha, mas que pelo menos, seja disponibilizado água no camião para “acudir e saciar” a sede dos seus animais.

Contactado, o presidente da câmara municipal, Francisco Tavares, em declarações à Inforpress, disse que “não há água na Brava” e que a população desta zona tem recebido água da Águabrava e do autotanque do MAA, mas que “sempre querem mais e precisam de mais”.

E para tentar dar resposta a esta comunidade, o edil avançou que estão a ultimar um acordo com a empresa intermunicipal em que a autarquia vai pagar os custos de transporte de água de Palhal ao reservatório de Cachaço, no camião da Água Brava, que tem capacidade para transportar 11 toneladas.

Já a responsável da Águabrava na ilha, Ilda Pereira, explicou que a quantidade de água produzida na ilha não corresponde à metade da demanda diária e a elevação da água para a sua distribuição não depende somente da empresa, mas também de energia.

Além disso, ressaltou que nesta localidade, por mais que disponibilizem água, a quantidade é sempre pouca porque muitos possuem reservatório e aproveitam para apanhar água e outras já não conseguem.

Acrescentou ainda que na zona, todos possuem animais e em grande número, o que faz com que a água seja sempre “insuficiente”.

MC/ZS

Inforpress/Fim

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