Brava: Pescadores apelam a uma maior atenção dos navios semi-industriais no lançamento de redes

Nova Sintra, 28 Nov (Inforpress) – Os pescadores bravenses pediram hoje aos navios semi-industriais, oriundos da Cidade da Praia, para terem mais atenção ao local onde lançam as redes porque muitas vezes têm capturado peixes proibidos na pesca de rede.

Em declarações à imprensa, Anildo Baptista, presidente da cooperativa de Lomba Tantum, disse que recentemente houve uma situação em que um barco de pesca colocou luz e lançou rede na baía de Tantum e ao retirar a rede, constataram que tinham capturado alguma quantidade de “txitxarrinho” (peixes de pequena dimensão, tipo sardinha) cuja captura é proibida por lei, bem como a sua venda.

Diante desta situação, aquele responsável destacou que esse barco teve de oferecer o peixe capturado a alguns pescadores que se encontravam a pescar nas proximidades pois, caso contrário, ao chegarem à ilha do Fogo as autoridades marítimas teriam de intervir.

Neste sentido, Anildo Baptista apela ao bom senso dos responsáveis desses barcos, no sentido de respeitarem as regras impostas pela lei, principalmente no cumprimento da distância onde podem lançar redes e colocar a luz que, segundo a mesma fonte, é de três milhas da costa, mas que os barcos nunca cumpriram.

“Com este tipo de pesca nós é que ficamos a perder, porque entram no nosso banco, capturam tudo e qualquer coisa mais e regressam ao seu destino”, indicou a mesma fonte, realçando que neste momento até o “txitxarrinho” para isca está em menor quantidade devido à captura inadequada e no período de desova do txitxarro por parte dos barcos semi-industriais.

E sobre a captura do “txitxarrinho”, a mesma fonte sublinhou que na localidade de Lomba já existe a cooperativa funcional e para evitar situações desconfortáveis no seio dos pescadores, pede aos dirigentes dos barcos para quando acontecem situações inesperadas como da última vez que contactem a cooperativa para não correr o risco de dar o pescado aos pescadores e estes prosseguirem com a venda como foi feita, mesmo sendo proibida.

Igualmente, Adelino Barbosa, pescador na zona de Furna, lamentou a situação que está a passar neste momento, reforçando que as iscas estão cada vez mais escassas e nesta época em que o mar está um pouco revolto, evidenciou que não conseguem procurar outro tipo de isca.

Portanto considerou que o “txitxarrinho” é “importante” para os pescadores, mas depois que os barcos de pesca começaram a capturar o txitxarro na época da desova este pescador realçou que já não há txitxarrinho suficiente para assegurar a pesca na ilha e mesmo a cavala já é escassa por essas bandas.

Por tudo isso, Adelino Barbosa culpou a pesca praticada pelos barcos semi-industriais, revelando que “os poucos txitxarrinhos que nesta época conseguem capturar nas baías provavelmente são dos txitxarros que não comem no anzol e se escondem debaixo dos barcos”.

E com tanta captura e lançamento das redes, este pescador diz desconfiar que a lei que proíbe esta captura não está a funcionar e apela a uma maior fiscalização por parte das autoridades marítimas no sentido de preservar o pão dos pescadores de linha.

MC/HF

Inforpress/Fim

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