Brava: Pai defende que inquérito deveria ser “mais amplo, multidisciplinar e não restrito ao ambiente intra-hospitalar” (c/áudio)

Nova Sintra, 17 Ago (Inforpress) – O pai do jovem João da Cruz “Djonny”, falecido no passado dia 01 de Agosto, João Monteiro da Cruz, defendeu hoje que o inquérito instaurado deveria ser “mais amplo, com equipa multidisciplinar e não restrito aos hospitais”.

João Monteiro da Cruz, enfermeiro de longos anos, quase na reforma, conforme anunciou, ao falar do inquérito instaurado para apurar as circunstâncias em que se verificou o falecimento do seu filho, João da Cruz “Djonny”, de 14 anos, as condições de evacuação e os procedimentos no Hospital Regional São Francisco de Assis, no Fogo, considerou que a forma como foi conduzida “não é a mais viável”.

A mesma fonte agradeceu a iniciativa do Governo e mesmo do Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, que antes do Governo anunciar esta medida já a tinha sugerido, mas do seu ponto de vista, “a equipa devia ser mais ampla, multidisciplinar e não se restringir apenas ao ambiente intra-hospitalar”.

Segundo a mesma fonte, a forma como o mesmo foi conduzido, as questões colocadas, todas já se encontravam ou se encontram respondidas nas notícias e mesmo nas publicações nas redes sociais, considerando que as perguntas colocadas já possuem as respostas “meio fabricadas e os inquiridos não conseguem expressar de fundo tudo o que sentem e o que realmente se passou”.

“Deveria ser mais aprofundado”, sugeriu, reforçando que a questão neste caso, não foi o atendimento aqui na Delegacia de Saúde da Brava, salientando que foram “bem atendidos”, mas sim algumas desinformações na questão do horário da entrada da criança, estado da mesma e as condições da evacuação para a ilha do Fogo.

“O inquérito não foi bem conduzido, pois beneficiou mais o hospital, devendo ser mais profundo e mais alargado”, finalizou.

Diante desta situação, os pais pedem aos bravenses que não desistirem da luta, onde a mãe Maria Rosa Cruz, pede aos bravenses para “não baixarem a guarda”, pois agora foi o seu filho, mas esta é uma situação que já vem se arrastando há muitos anos e caso o povo voltar a ficar calado nunca verá a situação da ilha melhorar.

“Tenho de viajar para os Estados Unidos da América de onde vim passar férias, mas quero que o povo lute, porque esta situação precisa tomar outro rumo”, disse a mãe da vítima, considerando “muito triste” a situação que viveu e está a viver, pois, explicou que ela e o filho só tinham cinco dias na Brava e o Djonny “chegou são na ilha”.

“Chegamos dos EUA no dia 26 de Julho e no dia 1 de Agosto o meu filho já se encontrava morto, mas é tanta coisa, tantos comentários e boatos que me deixam ainda mais inconsolável”, pronunciou, justificando que a sua revolta prende-se, principalmente, nas informações que estão a ser veiculadas relativamente aos cuidados que prestou ao seu filho, lamentando a situação e esclarecendo que ela somente tinha este filho e nenhum outro mais.

Refira-se que a equipa que está a trabalhar no inquérito é liderada pela médica Yolanda Landim, gineco-obstetra, em exercício no Hospital Universitário Agostinho Neto, e integrada por Hélida Djamila Fernandes, médica pediatra em exercício no Hospital Universitário Agostinho Neto e Cilene Silva, gestora do Fundo de Segurança Marítima.

O inquérito, de acordo com um esclarecimento governamental, publicado no anúncio da instauração do mesmo, no passado dia 08 de Agosto, deveria ser iniciado de imediato e o respectivo relatório ser apresentado ao primeiro-ministro até ao dia 31 de Agosto.

MC/HF

Inforpress/Fim

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