Brava: Mãe de paciente acusa delegacia de saúde de “descaso e morosidade” no processo de tratamento da filha

Nova Sintra, 08 Jan (Inforpress) – A “mãe-de-criação” (adopção informal) de uma paciente de 30 anos que sofreu uma queda a 11 de Junho de 2020, Isaura Monteiro, acusou hoje o hospital da Brava de “morosidade e descaso” no tratamento da filha.

A mesma fonte procurou a imprensa contando que Suelly, como é conhecida a paciente, caiu por volta das 20:00, foi levada à delegacia de Saúde, onde foi atendida pelos enfermeiros de serviço que accionaram o delegado e este, ao chegar, levou a paciente para fazer um RX.

Isaura Monteiro realçou que ficaram no hospital por alguns dias e depois receberam alta médica.

A mesma fonte avançou que as dores não cessaram e que desde essa data ficaram num vai-vem casa/hospital/casa e, quando vai, é-lhe sempre aplicado uma injecção.

No mês de Agosto de 2020 conseguiram uma consulta no ortopedista que, segundo a mesma, analisou o RX que tinha sido feito na altura da queda, considerando a situação da paciente “grave” e repetiu um outro RX e depois recomendou um suporte para o pescoço.

Mas, desde essa data até agora o ortopedista não veio mais à ilha, ficando à mercê das consultas feitas pelos dois médicos de clínica-geral e tem dias que, conforme explicou a paciente, além das dores fica com a cara inflamada a ponto de, por vezes, ter dificuldade em abrir a boca para comer.

“Eu preciso de documentos de transferência da Suelly porque ela não tem mais ninguém, desde criança encontra-se sob os meus cuidados e preciso levá-la a um especialista no Fogo ou na cidade da Praia, mas até esta data… nada”, disse a mãe.

Isaura Monteiro reforçou ainda que a questão não é dinheiro, mas sim o documento para viajar e seguir o tratamento com especialistas.

Neste sentido, Isaura Monteiro pede ao Governo que “analise a situação desta delegacia porque não possui condições para nada e ainda demora para transferir doentes a tempo e horas”.

Contactado, o delegado de Saúde, Júlio Barros, disse ter conhecimento da paciente, que é uma paciente que possui antecedentes de epilepsia e com algum retardo mental.

Explicou que a mesma caiu de uma altura de mais de três metros, onde apresentou um trauma cervical, esteve internado, foi feito RX e um tratamento de acompanhamento e depois foi vista pelo ortopedista.

“Como o especialista esteve na ilha, entregamos o caso e este ficou para regressar. Mas como os médicos cubanos não estão a viajar à noite dificultou-nos muito o acompanhamento da paciente”, disse o médico.

Júlio Barros avançou que entendem a preocupação dos familiares, pois ela ficou pendente, mas que o especialista já indicou que seja transferida para fazer uma ressonância magnética ou um TAC para esclarecer.

“Já teve muito tempo à espera, tentamos fazer o que estava ao nosso alcance e já consertamos com a senhora que cuida dela informando-lhe que será transferida no sábado, para um melhor seguimento ortopédico”, finalizou o médico.

De realçar que há especialidades na Brava que são os médicos cubanos que ministram estas consultas mensalmente e desde o passado mês de Setembro que os pacientes bravenses estão a aguardar a vinda dos mesmos ou então têm de se deslocar até à ilha do Fogo para estas consultas.

A ilha encontra-se sem consulta de ortopedista, pediatria, psiquiatria e médico para ecografia, tendo casos de grávidas com mais de quatro meses ainda sem fazer uma ecografia de seguimento.

MC/HF

Inforpress/Fim

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