Brava: ICCA sai às ruas numa sensibilização porta a porta contra trabalho infantil e o abuso sexual de menores

Nova Sintra, 11 Jun (Inforpress) – A delegação do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) na Brava iniciou hoje uma acção de sensibilização pelas ruas da Furna contra o trabalho infantil e o abuso sexual de menores.

Em declarações à Inforpress, a psicóloga do ICCA Mileida Cabral explicou que essa acção de sensibilização enquadra-se nas actividades comemorativas alusivas ao Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, comemorado no dia 12 de Junho.

A instituição, adiantou, aproveitou a oportunidade para também sensibilizar as pessoas sobre a problemática da violência e prática de abuso sexual contra crianças e adolescente na ilha, onde ultimamente tem registado vários casos.

Nesta acção porta a porta, a técnica enfatizou que o intuito é mostrar e fazer as pessoas entender que são os adultos que têm de se responsabilizar pela crianças, porque “são inocentes e neste sentido são os pais que têm de orientá-las, conversar, mostrar-lhes estratégias de prevenção e impor limites”.

Em relação ao trabalho infantil, salientou que a Furna é uma localidade piscatória e muitas vezes as crianças saem para a faina com os pais e sendo um trabalho “perigoso” mesmo para os adultos, é preciso analisar o quanto é para as crianças.

Outrossim, destacou que há muitos pais que ameaçam os filhos que caso não estudem vão trabalhar nas obras, onde vão carregar cimento, areia e outros materiais pesados para as crianças, situação que, de uma certa forma, acaba por prejudicar as crianças no seu desenvolvimento físico, mental entre outros problemas de saúde.

Neste sentido, Mileida Cabral pede a todos os pais para se consciencializarem e ver que todos devem ser um agente activo na prevenção, ou seja, reforçou, “cada um deve conversar claramente com os seus filhos, abordar questões relacionadas com a sexualidade, advertindo-as para que outras pessoas não aproveitem da sua inocência”.

Esta acção de sensibilização, segundo os moradores, chegou em boa hora, pois nesta zona as crianças deambulam até tarde pelas ruas sozinhas, vão ao mar sem nenhuma companhia tomar banho ou mesmo por algumas vezes frequentam locais inapropriados, tendo indicado casos de pais que aproveitam as crianças para pedirem dinheiro no cais à chegada dos navios na ilha.

Conforme disse Alcindo Martins, um dos moradores da localidade, as crianças não devem ficar na rua até tarde, mas se os pais deixam outras pessoas não podem opinar porque a educação de hoje é muito diferente do que a de antigamente.

Mas, aproveitou para alertar a sociedade que é preciso “unir” os esforços e tomar conta dos mais pequenos para que mais tarde a sociedade não venha a sofrer as consequências que são várias.

Esta acção de sensibilização, que se iniciou hoje, vai continuar para outras localidades, principalmente Lomba Tantum, uma outra zona piscatória onde muitas crianças acabam por ser submetidas ao trabalho infantil.

Quanto à questão do abuso e violência sexual de menores, o ICCA tem um programa vasto com actividades durante o mês de Junho que visa sensibilizar e trabalhar esta questão através de encontros, palestras e outras actividades em todas as zonas da ilha.

MC/JMV
Inforpress/fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos