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Brava: Henrique de Pina há 63 anos veste o “Mastro” das festas de Santo António, São João e São Pedro

Nova Sintra, 24 Jun (Inforpress) – Henrique de Pina, 75 anos, desde os 12 vem vivendo e mantendo viva a tradição do “Mastro”, nas três festas da “Bandeira” da ilha Brava.

A ilha possui uma forte tradição em termos de Bandeira, mas existem aquelas, Santo António, São João e São Pedro, que, desde a antiguidade, vestem “Mastros”.

Entretanto, já lá vão algumas décadas que apenas um homem se dedica e tenta manter viva a tradição.

Por isso, Henrique de Pina teme que a mesma acabe por perder ou morrer, assim como, tem vindo a acontecer com as outras tradições da ilha.

Conforme contou à Inforpress, a sua ambição e vontade em fazer o Mastro iniciou desde os 12 anos, nos tempos antigos, que recordou como sendo o “tempo de Nho Tui, Nho Totoy, Frank”, figuras que vestiam o “Mastro”, em que ele ainda rapazinho, sentava-se no Cutelo, e prestava atenção em cada passo que eles davam para confeccionar e vestir o Mastro.

Mas agora, de acordo com o “mastreiro”, nenhum jovem demonstra esta ambição ou desejo em aprender e fazer o Mastro.

Recordou que quando criança, em todas as festas da “Bandeira”, deslocava-se até o Cutelo, e observava as pessoas a fazerem as “vergas”, ou a estrutura do Mastro, depois vestiam-no, e ele, subia no Mastro e colocava o “mustareu”, pau que é içado à bandeira no fim e, como recompensa, recebia uma canastra (pão em diversos formatos) que levava aos pais.

“Assim, vim com esta ambição e, com o tempo eles morreram, dei continuidade e até agora, com os meus 75 anos preparo o Mastro”, mas, com esta idade, de acordo com a mesma fonte, está sendo um pouco cansativo.

Henrique Pina, emocionou-se ao relembrar que, antigamente, as coisas eram bem diferentes, porque nas festas da bandeira, havia muitas actividades tradicionais que hoje já não são lembradas e nem realizadas.

Falou do “quebra pote”, “panha algorinha”, onde penduravam argolas nos cavalos e as pessoas iam apanhando. Recordou ainda, de um cavalo que se chamava Kalifa, que descreveu como sendo um cavalo branco, que dançava e não magoava ninguém, entrava nas casas, independentemente se era sobrado ou não, mas o cavalo tinha de subir para dançar em todas as casas que passava, conforme o ritual da ilha.

“Este cavalo, quando sentia o pau no tambor, dançava juntamente com as coladeiras, como se fosse uma pessoa”, contou emocionado de alegria e de tristeza, por ver a tradição a “morrer dia após dia”.

Recordou ainda, que na época, eram realizadas “boas feiras”, barracas e tudo era muito bom. Mas agora, acrescentou “estão eliminando muitas destas tradições”.

O Mastro, até agora é vestido logo ao amanhecer, quando as pessoas vão levar as oferendas, os festeiros entregam tudo o que possuem para colocar nele, e por volta das 17:00, é dado o “bote”, ou seja, deitam abaixo o Mastro e as pessoas vão pegar aquilo que puderem e quem deseja toma a “Bandeira” para festejar no ano seguinte.

Chegada esta hora, todos se deslocam ao Cutelo para botar a sorte e tentar arrematar alguns bens que se encontravam no Mastro.

Entretanto, lamenta muito a falta de incentivo por parte dos jovens, porque, segundo o mesmo, hoje em dia, os jovens vão até o Cutelo, onde o encontram, mas nenhum é capaz de o ajudar. Caso houver bebidas, bebem, mas depois que terminar vão embora e “não se preocupam em aprender”.

No Mastro, colocam um pouco de tudo, desde pão, frutas, flores, banana, bebidas, dinheiro, mas agora até isso tem vindo a diminuir.

MC/ZS

Inforpress/Fim

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