Brava: Festeiros da Coroa do Espírito Santo pedem que seja festejada pela fé e não para vangloriar-se

Nova Sintra, 04 Jun (Inforpress) – As festas em louvor do Divino Espírito Santo, que se assinala este domingo de Pentecostes, são vividas com intensidade e fé pelos festeiros que pedem a sociedade que a festejem pela fé, não para se vangloriarem.

Após a cerimónia de véspera realizada na noite de hoje, em declarações à Inforpress, Nilton Gonçalves, festeiro deste ano, agradeceu a Deus pela oportunidade e explicou que os motivos que levaram a sua família a tomar a Coroa para festejar foi a fé e a realização de uma promessa.

Segundo a mesma fonte é “preciso ter fé em Deus” e acreditar que o Espírito Santo sempre vai intervir nas súplicas feitas com fé.

Entretanto, pediu à sociedade que não deixe esta tradição “morrer”, mas também que não a festejem para se vangloriarem e sim pela fé e na medida das possibilidades de cada um, pois, reforçou que no final passa a ser como uma “disputa” para ver quem faz o melhor.

Igualmente, o sexagenário Paulo Sena, que acredita que o culto ao Espírito Santo tenha sido trazido dos Açores, lembrou que, como festeiro, participa sempre no culto da Coroa do Espírito Santo, uma festa essencialmente religiosa, que reúne na Vila de Nova Sintra devotos de várias localidades da ilha.

O sexagenário puxa da memória e conta que desde que nasceu encontrou as pessoas a celebrarem esta festa na Vila e diz ter ouvido que é uma tradição oriunda dos Açores, Portugal.

De acordo com o festeiro, quem festeja a Coroa tem de ser alguém que terá feito um pedido e uma promessa e assim que o pedido for realizado, tem de pagar a promessa.

Portanto, conforme salientou, para festejá-la, tem de ser alguém de “muita fé”, pois é a “fé que move esta festa”.

Segundo o festeiro, após os festejos da Coroa do Espírito Santo, oito dias depois, é festejada a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), mas agora, na ilha, segundo Paulo Sena, está sendo festejada somente a Coroa, embora, acrescentou, “a Trindade seja muito mais do que a Coroa”.

Em termos de tradição, explicou, é erguido um altar em casa do festeiro, todo coberto de cetim vermelho e enfeitado com rendas brancas, lâmpadas coloridas, flores, sobretudo cravos e amores-perfeitos, onde é colocada a Coroa.

Na véspera, a Coroa é levada em procissão para a igreja e depois regressa à casa dos festeiros e, no dia seguinte, haverá a missa de Pentecostes.

Prosseguiu, explicando que após a santa missa, a Coroa volta à casa de onde partira e oito dias depois, a pessoa que assumirá os festejos do ano seguinte vai buscá-la e levá-la para a sua casa.

Ou seja, conforme explicou, a Coroa fica durante um ano em casa do festeiro e não pode “ficar sem festejar, tanto mais que já existem festeiros para daqui a muitos anos”.

A parte de comes e bebes é feita conforme as possibilidades de cada festeiro.

MC/HF

Inforpress/Fim

 

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