Brava: Director do SSSL lamenta falta de apoios para “afincar e sustentar” a cultura bravense (c/áudio)

Nova Sintra, 03 Nov (Inforpress) – O director do festival Sete Sóis Sete Luas (SSSL), Marco Abbondanza, disse em entrevista à Inforpress que lamenta a falta de apoios para a cultura bravense, acusando o Governo de praticar uma “cegueira” pelas potencialidades na área.

Para este dirigente, o festival SSSL representa uma grande aventura de descentralização cultural, uma viagem que está a tocar muitos países e que na ilha Brava só chegou através de uma “sugestão” do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca.

“Mas, temos uma nota de tristeza porque a Brava, que é uma ilha tão importante para a cultura cabo-verdiana, ilha de Eugénio Tavares, não há qualquer apoio do Governo de Cabo Verde para apoiar projectos e programas para promover a cultura”, disse a mesma fonte.

Segundo a mesma fonte, é visível o esforço que o festival SSSL e os artistas bravenses têm feito para “dignificar” a cultura e a música da ilha, mas a falta de apoios acaba por “paralisar” qualquer esforço.

“O que acresce esta tristeza é ver que há muito dinheiro oferecido para diferentes acções e nota-se que muitas vezes esse dinheiro é mal-empregado, até porque maioria do dinheiro vai para os funcionários ou pessoal do projecto”, apontou, justificando que não está a falar em corrupção, caracterizando tal acto de “escândalo legal”.

Daí sugeriu que é necessário mudar o sistema, porque há necessidade de apoio para os músicos, para um centro cultural, apoio para os jovens artistas que já deram provas que são capazes de levar isso mais adiante.

Marco Abondanza realçou que no discurso tudo é muito bonito, mas já na prática que é algo para valer, algo mais duro não se faz nada.

“Há muitas entidades que são cegas e apresentam uma falta de generosidade com a Brava”, disse o responsável considerando que esta situação é uma “vergonha nacional”.

Ainda, reforçou que os apoios que o festival SSSL tem tido para o intercâmbio com os artistas e que têm sido pontuais na maioria são internacionais, mas que a ilha precisa de “apoios constantes, algo fixo e consistente” para alavancar a cultura e promover um turismo cultural.

“Os músicos da banda Brava 7Luas Band são embaixadores da cultura bravense e deveriam ter mais apoios porque é lamentável ouvir dos artistas que estão a pensar na emigração porque não conseguem meios de sobrevivência aqui na ilha”, enfatizou.

Para finalizar, Marco Abondanza destacou que esta “cegueira”, que existe com a Brava e as outras ilhas periféricas “deve ser mudada” e que se deve evitar falar das ilhas somente para ter um discurso bonito, quando na verdade “ninguém quer saber deles”.

MC/CP

Inforpress/Fim

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