Brava: Director da Biflores defende que é preciso melhorar o sector primário de forma a ter um melhor rendimento (c/áudio)

Nova Sintra, 10 Nov (Inforpress) – O director da organização ambientalista Biflores defendeu hoje que a forma de pescar, de fazer a agricultura ou pastoreio, na Brava, não possui um impacto muito grande sobre o meio ambiente, mas é preciso melhorá-la.

Dheeraj Jayant fez estas declarações em entrevista à Inforpress, destacando que, neste momento, a associação já realizou algumas formações e há outras em carteira envolvendo sempre as comunidades de forma a incentivá-las a trabalhar na conservação e preservação da natureza.

Este responsável evidenciou que, no sector primário, é preciso melhorar as áreas da pesca, da agricultura e da criação de gado com vista a um melhor e maior rendimento, explicando assim as formações que têm oferecido nestas áreas.

Segundo a mesma fonte, têm tentado integrar a ciência moderna dentro destas formações, sublinhando a questão de a Biflores ter como parceiros e colaboradores, nestas áreas, algumas organizações internacionais.

Igualmente, realçou que para trabalhar melhor nas questões ambientais, a Biflores pretende fazer mais pesquisas científicas sobre as mudanças climáticas e os impactos sobre a vida e as actividades económicas da Brava, acreditando que isso “vai melhorar o potencial pela conservação integrada com o desenvolvimento da Brava”.

No quadro das pesquisas, anunciou que já há alguns dados e estão a trabalhar nisso, anunciando que existem outros projectos a serem desenvolvidos no próximo ano, voltados para o melhoramento dos conhecimentos científicos das plantas endémicas na Brava.

Ainda nesta área, sublinhou que têm feito o monitoramento participativo e defendeu que os pescadores e as comunidades possuem um “potencial muito importante” na conservação da natureza e, por isso, tentam incluí-los sempre nos objectivos da conservação.

E é neste sentido que têm formações voltadas para os pescadores, onde estão a participar do projecto Guardiões do Mar, um programa desenvolvido pela Fundação Maio Biodiversidade e um dos objectivos deste programa é de capacitar os pescadores para recolher dados sobre a megafauna marinha, além de dotá-los de técnicas de captura mais sustentável.

Na área marinha, está neste momento a decorrer uma formação sobre Navegação em Alto Mar e Técnicas de captura, que iniciou no final do mês de Outubro, cujo objectivo é de atribuir diferentes capacitações e valias aos pescadores que já praticam uma forma de pesca e agora a Biflores quer dotá-los competências variadas de navegação no alto mar, primeiros socorros, reparação de motores, entre outras questões.

Já na área terrestre, recordou que já realizaram uma formação em “Técnicas de campo para a monitorização da vegetação” onde envolveram os guardas florestais, técnicos do Ministério do Ambiente e da Agricultura, técnicos do Projecto Vitó e técnicos da Biflores e o formador Isildo Gomes transmitiu várias técnicas para fazer o levantamento botânico e o mapeamento das plantas endémicas na Brava.

Dheeraj Jayant realçou que realizaram um intercâmbio com pastores das ilhas do Maio, Santiago, São Nicolau, Sal, Boa Vista e Brava, numa parceria com o Ministério da Agricultura e Ambiente e a cooperação espanhola, onde fizeram visitas no terreno, formações sobre o processo de produzir blocos minerais e a silagem, como forma de garantir a sustentabilidade dos animais, numa primeira fase, pois, sublinhou que este intercâmbio continua num grupo criado nas redes sociais como forma de dar continuidade ao processo e lutar para a prática de um pastoreio sustentável em todo o País.

E para finalizar o ano, Dheeraj Jayant anunciou que estão agendadas outras actividades, de entre elas mais duas acções de capacitação, uma sobre a educação financeira destinada às peixeiras da ilha e uma formação sobre o Controlo de Qualidade, organizado em parceria com o Ministério do Mar.

A Biflores é uma associação de conservação da biodiversidade, sediada na ilha Brava, e tem como finalidade a protecção e conservação dos ecossistemas marinhos e terrestres, da sua biodiversidade e dos recursos naturais, bem como fomentar o envolvimento e o desenvolvimento sustentável da comunidade na ilha.

MC/HF

Inforpress/Fim

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