Brava: Criadores aderem à técnica da silagem para prevenir contratempos e gastos elevados (c/áudio)

Nova Sintra, 11 Nov (Inforpress) – Os criadores de gado da ilha Brava começaram a aderir a técnica de silagem para prevenir contratempos se gastos elevados caso venham a enfrentar anos de seca mais adiante.

A silagem e a produção de blocos minerais é uma das técnicas que Vani Furtado, da Biflores, tem vindo a mostrar e a sensibilizar os criadores de gado da ilha desde 2014 e já foi estendida a criadores de outras ilhas, no sentido de lutar para um pastoreio e criação de gado sustentável.

A Inforpress percorreu algumas zonas da ilha, desde Mato Grande, Mato, Tomé Barraz, Pedra Molar, para falar com criadores que já estão há alguns anos a enveredar por este caminho e outros que se iniciaram agora como é o caso do Manuel Gonçalves.

Este pastor é a primeira vez que está a fazer silagem, pois conforme contou após algumas acções de sensibilização, explicando a utilidade e a mais-valia do processo decidiu experimentar.

“O técnico mostrou-nos a vantagem e caso no próximo anto tivermos problemas com pasto devido à falta da chuva já teremos um alimento garantido, com todos os nutrientes e que não é necessário gastar muito em milho ou ração”, disse a mesma fonte, reforçando que é um pasto moído e facilita mesmo no processo de mastigação por parte dos animais.

E com esta técnica diz esperar que não vão passar pelo sofrimento que passaram nos últimos dois anos, na expectativa de armazenar uma grande quantidade de silagem em tambores.

Este ano, conforme afirmou, não vão enfrentar problemas de pasto e é por isso que vai aproveitar e fazer um stock de silagem de forma a preparar para os próximos anos em caso de falta de chuva e mesmo para manter os nutrientes do pasto que é melhor do que a secagem da palha como costuma fazer.

Aliás, aconselhou outros pastores a aderirem a esta técnica, sublinhando que assim se evita o pastoreio livre que há algum tempo tem trazido alguns prejuízos, como o aparecimento de pragas.

José da Veiga Mendes é um outro pastor que aderiu a esta prática há alguns anos, e nos consecutivos anos de seca não sentiu muito na pele a dor de lutar pelo sustento do gado, mas este ano, resolveu aumentar mais a produção tendo um espaço para a criação de um campo forrageiro, que está a fazer silagem para guardar para próximos anos, juntamente com mais sete tambores que fez no ano passado, mas não teve necessidade de usá-lo.

Ele também aconselhou aos colegas a apostarem em campos de capim elefante e outras forragens, para assim diminuírem a prática do pastoreio livre que está sendo ameaçado por pragas de carrapato, piolho, entre outras, além do furto por outras pessoas e dos ataques de cães vadios.

Já Joaquim Baptista começou o processo desde 2014 quando teve conhecimento desta técnica e desde então todos os anos tem apostado nesta técnica e até esta data não enfrentou constrangimentos com o seu gado, porque tinha pasto guardado e ao oferecer a silagem, garantiu que a produtividade é melhor.

Este alimento, reforçou que às vezes mistura com rações, mas outras vezes oferece-lhes somente a silagem e comem sem nenhum problema.

Por seu turno, Vani Furtado, técnico da Biflores, explicou que o objectivo é lutar para ter um stock de pasto e prevenir para as épocas secas e que consequentemente vai diminuir o número de animais à solta na prática de pastoreio livre, menos erosão, menos pragas nos animais e mais produtividade.

Avançou que todos os anos têm sensibilizado os criadores e que este ano foi realizado um intercâmbio com pastores oriundo do Maio, Santiago, São Nicolau, Boa Vista e Sal, que vieram compreender e aprender a importância desta técnica, pois o objectivo é lutar para um pastoreio sustentável não somente na Brava, mas em todo o País.

Vany Furtado explicou que pode ser feito com o capim elefante que é uma das plantas que permite o criador fazer “stock”, tanto no formato de silagem ou de feno, mas também milho do sul e outras forragens.

Questionado sobre estes dois processos adequados para guardar este pasto, explicou que para fazer o feno, o capim tem de ser cortado no período entre 50 a 70 dias após a sua plantação, é secado no sol e depois guardado com a qualidade e um valor nutritivo dentro do padrão desejado.

Já a silagem é um processo onde apanham o capim elefante, é exposto ao sol por algumas horas e depois é triturado na máquina para depois ser conservado.

A Biflores é uma associação de conservação da biodiversidade, sediada na ilha Brava, e tem como finalidade a protecção e conservação dos ecossistemas marinhos e terrestres, da sua biodiversidade e dos recursos naturais, bem como fomentar o envolvimento e o desenvolvimento sustentável da comunidade na ilha.

MC/CP

Inforpress/Fim

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