Brava/Ano Agrícola: População de Cachaço pede às entidades tomada de decisões “em tempo útil” (c/áudio)

Nova Sintra, 04 Nov (Inforpress) –  A população da localidade de Cachaço pediu às “entidades competentes” que tomem medidas “atempadas”, perante o mau ano agrícola, antes que suas crias começam a padecer por falta de pasto e do surgimento de doenças.

O apelo foi feito à Inforpress, que deparou também com um cenário diferente das outras zonas, pois na localidade os terrenos estão completamente limpos.

José Pires, morador de Cachaço, salientou que a situação está cada dia mais complicada, pois “nem pasto há”, embora sublinhe que quanto aos animais ainda há alguma quantidade de água no reservatório, mas que não vai durar por muito tempo porque na zona quase não choveu este ano.

Não obstante a inexistência de uma produção agrícola, referiu que os animais já começaram a ser vendidos por um preço inferior ao valor real, destacando que o gado, além da falta de pasto sofreu com ataques de matilhas de cães que andam à solta pela comunidade, embora, neste momento, a situação esteja mais controlada.

Além disso, lamentou o facto de outras famílias na localidade estarem desempregadas, de não terem outras fontes de rendimento, dependendo de remessas de familiares e apoios de terceiros.

Perante a situação, em nome de outros pastores e agricultores, pediu a intervenção das “entidades governamentais competentes”, para minimizar os efeitos do mau ano agrícola.

“Acho que não devem esperar para quando o nosso gado começar a morrer ou a desnutrir mas que prestem o apoio a tempo e hora, porque quando o corpo já não estiver a aguentar não vale a pena”, salientou este morador.

Segundo o mesmo, caso o apoio chegue “a tempo e hora” vão aguentando aos poucos, com algumas diligências e com fé que no ano que se aproxima a situação seja melhor e diferente destes quatro anos de seca.

As mulheres da zona que vivem da produção caseira de queijo contam que dia após dia a situação está “mais difícil” porque se não há pasto não há animais e sem animais não há leite para produzir queijo.

Neste momento, José Pires evidenciou que todos os jovens da localidade se encontram desempregados, porque esta é uma localidade cujos moradores dependem da chuva para poderem trabalhar na agricultura e defenderem o seu gado.

Confrontado com esta situação, o presidente da Câmara Municipal da Brava, Francisco Tavares realçou que já tem conhecimento da situação da localidade de Cachaço e que na próxima semana, acompanhado do delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente, vai iniciar deslocações às localidades para poder inteirar-se da situação da ilha em mais um ano de seca.

Igualmente, sublinhou que há que implementar planos de mitigação dos efeitos do mau ano agrícola, informando que as localidades de Cachaço e de Baleia encontram-se na linha de prioridade.

Segundo a mesma fonte, o Governo já aprovou o plano de mitigação e espera que este seja aprovado também no Parlamento, para depois a Brava receber o bolo e distribuir para as diversas localidades, mediante as necessidades.

Além do plano, destacou que com o desbloqueio das verbas do Programa de Requalificação, Reabilitação e Acessibilidade – PRRA a localidade de Cachaço também será contemplada.

MC/HF

Inforpress/Fim

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