“Braille é uma ferramenta indispensável para abrir portas da alfabetização e igualdade de oportunidades” – Marciano Monteiro (c/áudio)

Cidade da Praia, 03 Dez (Inforpress) – O presidente da Associação de Deficientes Visuais de Cabo Verde (Adevic) apontou hoje o sistema de escrita Braille como uma ferramenta indispensável para abrir portas da alfabetização e igualdade de oportunidades às pessoas com deficiência visual.

Marciano Monteiro fez essa afirmação à Inforpress quando falava sobre o Dia Mundial do Braille, que se assinala a 4 de Janeiro, uma data que visa consciencializar as pessoas sobre a importância do Braille como um meio de comunicação na plena realização dos direitos humanos das pessoas cegas.

“O sistema de escrita Braille vem sendo utilizado há quase dois séculos como meio de escrita e leitura e é reconhecida como o instrumento mais preciso e eficaz para que os que já nasceram com deficiência visual ou que perderam a visão nos primeiros anos de vida tenham acesso ao conhecimento e formem conceitos sobre seres, objectos, formas e realidades que a ausência do sentido lhes torna inacessíveis”, disse.

Por este motivo, o presidente da Adevic, Marciano Monteiro, que reconhece avanço da utilização do sistema como meio de escrita e leitura nas salas de recursos e escola dos cegos, pois, segundo disse, o Ministério da Educação tem recorrido a associação para impressão de materiais escolares, disse que esse avanço “não é suficiente” para garantir a acessibilidade de todos os cegos no sistema educativo.

Isso porque, realçou, o sistema da escrita Braille é um instrumento indispensável à verdadeira inclusão dos cegos, pelo que considera que era bom que o Braille fosse incluído no plano curricular, sobretudo no ensino superior, para uma melhor preparação dos professores para lidar com alunos com deficiência visual.

“Porquê Braille é imprescindível nessa matéria? Porque para uma criança que inicia o ensino básio para saber como escrever a palavra casa tem de ler, pois, se não o fizer não entende como se escreve e, para isso, tem de aprender a ler em Braille e não através de gravações ou sistema falante do computador”, esclareceu.

Para o avanço que se quer, admitiu que é preciso haver técnicos preparados, pois a tecnologia não deve ser vista como uma substituta da técnica Braille, mas como um complemento a ela.

Lembra ainda que uma verdadeira educação de crianças cegas só acontece quando elas dispõem de livros que contenham a representação dos símbolos da matemática, química e de outras ciências e a impressão, em relevo, de tabelas, gráficos e outras ilustrações, uma vez que o Braille é “importante mecanismo” para a independência e até mesmo para o lazer.

“Devemos lutar para que o Braille continue sendo uma ferramenta indispensável para a verdadeira educação de crianças e jovens com deficiência visual e para a satisfação de todos os que valorizam a autonomia, a independência e a cidadania”, precisou.

Em Cabo Verde, para o número de pessoas cegas existentes, de acordo com Marciano Monteiro, são poucos os que sabem ler e escrever através do sistema Braille.

A associação, assegurou, tem feito o possível para dar melhores respostas a nível de documentos em sistema Braille, num País onde o desafio “é enorme” neste tema.

Para vencer os desafios, o presidente da Adevic apelou ao envolvimento de todos, Governo, municípios e sociedade civil, para uma resposta “mais adequada” aos estudantes com deficiência visual, visando proporcionar-lhes a igualdade de oportunidade.

Para assinalar a data, a União das Pessoas Cegas pede aos países que não ratificaram o Tratado de Marraquexe que o façam “sem hesitação”, para garantir que todos os trabalhos e livros publicados sejam produzidos em formatos acessíveis, incluindo Braille.

Isso porque o artigo 21º da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas (CDPD) obriga os Estados membros a garantir que as informações destinadas ao público em geral estejam em formatos acessíveis, como o Braille.

O Objectivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4º exige acesso igual a todos os níveis de educação para os vulneráveis, incluindo pessoas com deficiência.

Em Cabo Verde, segundo dados do Censo de 2010, estima-se a existência no País de 13 mil pessoas com deficiência visual.

A data de 4 de Janeiro assinala o nascimento de Louis Braille, o criador do sistema de leitura e de escrita Braille, que permite através do toque facilitar a vida das pessoas invisuais e a sua integração na sociedade.

O Braille é composto por 64 sinais, gravados em papel em relevo e são combinados em duas filas verticais e justapostas, à semelhança de um dominó ao alto, sendo que a leitura se faz da esquerda para a direita.

PC/AA

Inforpress/Fim

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