Boa Vista: Surto de morte e venda da carne de suínos preocupam autoridades locais (c/áudio)

Sal Rei, 12 Dez (Inforpress) – Um surto de mortes, venda de carne e despejos de suínos na lixeira estão a preocupar as autoridades autárquica e sanitária local que em campanha de sensibilização alertam as pessoas sobre esta prática que põe em perigo a saúde pública.

Num espaço onde se decorreu a campanha, localizado à entrada da reserva natural da Boa Esperança, lugar mais conhecido por “pocilga”, se pode constar barracas feitas dos mais diversos materiais, desde papel, sacos e tambores, onde se criam suínos que são depois mortos e vendidos à população.

Nos arredores das pocilgas notam-se ainda restos das comidas, lixos e excrementos desses animais, como visíveis estão também alguns suínos mortos no chão, assim como partes de outros enterrados na areia. A saída e entrada de pessoas com baldes de comida e ração para animais são uma constante no recinto.

Um dos criadores que se encontrava no local, Manuel Virtolino, único que aceitou dar entrevista, avançou que no dia 04 de Dezembro se deparou com os seus porcos doentes, tendo no dia seguinte contactado a delegação do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) para os informar sobre a ocorrência, solicitando ainda medidas.

Ainda conforme contou, a delegação levou algum tempo a se deslocar ao local, e quando lá chegaram a maior parte dos suínos já estava morta, descrevendo um cenário cheio de animais na lixeira, a aberto perto das pocilgas, sem que houvesse a preocupação de os enterrar.

“Eu tinha cerca de 12 porcos, que já morreram todos. Enterrei-os porque sou contra a prática de deita-los na lixeira. Neste momento, só me resta um leitão, se este escapar terei sorte. Entretanto, vi muitos porcos na lixeira, e inclusive chamei a delegação do MAA para vir cá para tomar medidas”, afirmou, aventando que “pela quantidade de suínos mortos arrisca-se a dizer que praticamente já não há animais no sítio”.

A mesma fonte confirmou o relato da venda de porcos no mercado abaixo do preço habitual, sublinhando que muitos, sobretudo desempregados, viram na venda dos suínos doentes ou mortos um meio de subsistência.

Entretanto, condena esta atitude e apela aos criadores para abaterem os suínos doentes e que não vendam a carne de modo a evitar outros problemas como a multiplicação dos casos no meio das pocilgas.

E foi este o propósito de uma campanha de sensibilização desencadeada pela Câmara Municipal da ilha, que junto com um veterinário da delegação da MAA e enfermeiros do Centro de Saúde conversaram com os criadores presentes nas pocilgas, para lhes alertar sobre a morte repentina destes animais e do perigo que representa a venda da sua carne para a saúde pública.

O vereador da Saúde Pública, Defesa dos Consumidores, Agricultura e Pesca, João Mendes, explicou que a autarquia teve o conhecimento das mortes dos suínos há duas semanas e que uma equipa deslocou-se ao local para constatar no terreno e averiguar a situação que já foi comunicada à delegação local do MAA.

Ainda na ordem cronológica dos acontecimentos, segundo o vereador, há mais ou menos uma semana, foram recolhidas amostras para análises e enviadas para a cidade da Praia, a fim de se saber as razões que estão na origem da morte dos suínos.

Por isso, disse que enquanto se aguarda pelos resultados, a equipa quis, em conversa pedagógica, passar aos criadores mensagens sobre as medidas higiénicas vigentes e preventivas que devem tomar.

“Não impedimos ninguém de matar o seu porco. Mas avisamos para que dois dias antes do abate, que comuniquem a delegação do Ministério da Agricultura e Ambiente, que tem um médico veterinário disponível, para conferir as condições do animal e se a carne poderá ser vendida para o consumo”, afirmou o vereador.

Quanto à venda da carne destes animais encontrados mortos, o vereador João Mendes conferiu que, apesar de ainda não constatar in loco esta realidade, tem informações sobre esta prática de venda a baixo preço no mercado do bairro da Boa Esperança.

“Pedimos à população para ter muito cuidado na compra de carne de porco. A saúde pública pode estar em risco, com pessoas a comprar carne não apropriada. Aos criadores que queimem ou enterrem os animais”, alertou, garantindo dar continuidade à campanha de sensibilização para, no terreno, conversar com os vendedores e a população sobre a compra de carne de suínos neste momento na ilha da Boa Vista.

VD/JMV
Inforpress

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