Boa Vista: Planos agrícolas do projecto tartaruga contam com adesão de mulheres no norte da ilha

Sal Rei, 05 Jun (Inforpress) – O sector de desenvolvimento comunitário do projecto Tartaruga está a promover uma acção de capacitação das mulheres na agricultura e a implementar um sistema agro-florestal no norte da ilha, apostando na biodiversidade, aliada à protecção ambiental.

Apesar da escassez das chuvas e da seca, o projecto Tartaruga não desiste de insistir no cultivo nacional na ilha, com apostando em projectos de agricultura ecológica, no sistema gota-a-gota e mais recentemente no sistema agro-florestal, em viveiros e ainda na formação e capacitação dos agricultores.

Segundo o engenheiro agrónomo Guilherme Gonçalves, que falava à Inforpress, este projecto de desenvolvimento comunitário visa a formação e capacitação dos agricultores, por um lado, e, por outro, incentivar estes homens da terra a apostarem em assistências técnicas de reprodução ecológicas, nomeadamente no uso de caudas naturais que ajudam no controlo de alguns insectos, pragas, adubação orgânica, melhoria do solo e do cultivo, cobertura e protecção do solo.

“A segunda parte deste projecto está directamente ligada a 12 mulheres que trabalham no viveiro e na estufa, com 220 m2 no centro piloto do Ministério da Delegação Regional, em que estas trabalham numa produção agro-ecológica”, disse Guilherme Gonçalves.

Uma vez que estas mulheres que não tinham um perfil de agricultoras, o responsável explicou que houve a necessidade de ser feito um trabalho de pedagogia ambiental para que as mulheres pudessem trabalhar na terra.

Actualmente, adiantou, estas mulheres ligadas ao projecto vendem os seus produtos para a associação Tamra, para o mercado local e do Sal Rei.

Conforme avançou o agrónomo, o mais recente plano deste sector comunitário do projecto tartaruga “é a implementação de um sistema agro-florestal, com 420m2, onde se faz uma mistura entre espécies florestais, no caso pode ser frutífera, consorciadas, associadas com espécies agrícolas”.

“É um sistema interessante que traz todo um equilíbrio, uma biodiversidade aliada a esta protecção do ambiente que pode ter bons níveis de produção agrícola e florestal”, disse o engenheiro, garantindo que há muitos agricultores que já aderiram ao sistema agro-florestal.

Para Guilherme Gonçalves, este projecto, que” está a expandir-se, traz avanços”, uma vez que “muitos destes profissionais já deixaram de usar agro-tóxicos”, o que, na sua opinião, “trará benefícios para toda a sociedade, tanto ao nível do cultivo como para os consumidores dos produtos”.

“Este projecto deveria ter continuidade. O projecto tartaruga continua, mas em termos de agricultura seria importante que tivesse este seguimento, ou passar esta experiência para outras comunidades”, afirmou Guilherme Gonçalves.

De acordo com o responsável, o trabalho que vem sendo desenvolvido passa também pela consciencialização das pessoas para a necessidade de conservação da água, através do uso do sistema gota-a-gota, e, ainda, do uso de materiais como restos de madeira das carpintarias para melhoria das características dos solos, com a sua cobertura, a fim de assegurar a água na terra.

Este sector de desenvolvimento comunitário do projecto tartaruga tem o apoio e parceria do Ministério da Agricultura e Ambiente.

VD/JMV

Inforpress/Fim

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