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Boa Vista: Operadores económicos querem pacote diferenciado de intervenção devido à pandemia

Sal Rei, 13 Fev (Inforpress) – Os operadores turísticos e económicos da ilha da Boa Vista solicitaram sábado ao Governo “atenção especial” e pacote diferente de intervenção das restantes ilhas, tendo em conta a dependência e paralisação do turismo impostas pela pandemia.

Dezenas de investidores na área de turismo e outros empresários ligados indirectamente a este sector fizeram este pedido durante a reunião com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva e o ministro do turismo, Carlos Santos, que teve lugar no Centro de Arte e Cultura (CAC), em Sal Rei.

Conforme os empresários, Boa Vista, assim como a ilha do Sal, foram as mais afectadas pela pandemia, com consequências a nível económico-financeiro e social, “quase que imensurável, principalmente devido a dependência exclusiva do turismo”.

Na opinião de uma das intervenientes, Júlia Ramos, a ilha da Boa Vista é a mais fustigada pela crise pandémica, indicando que, por isso, há questões que devem ser assinaladas para optimizar as medidas até agora tomadas pelo Governo para mitigar a crise

Sobre as medidas, a mesma fonte disse que se poderia aumentar o tempo de pagamento das prestações das dívidas das empresas e das moratórias até o mês de Setembro, e ainda subsidiar os custos da água e electricidade”.

Washington Weidman também frisou a necessidade de o Governo criar medidas diferentes para a ilha, na medida em que “todos os negócios da ilha estão ligados indirectamente ao turismo”.

É que segundo analisou, com a quebra de facturação a volta dos 40%, e com a previsão do aumento desta percentagem, muitos empresários se encontram em situações complicadas, observando que alguns que ficaram de fora deste pacote falam em encerrar as portas dos estabelecimentos.

“A situação está-se a piorar cada vez mais”, lamentou, propondo a prorrogação das moratórias até Dezembro.

Washington Weidman observou ainda que, mesmo que se venha a retomar o movimento turístico em Outubro, as empresas terão que ter um tempo para se reorganizar.

Baixar o Imposto sobre o valor acrescentado (IVA) de 15% a 10%, por um período temporário, isentar taxas de importação a produtos de primeira necessidade, para que se consiga proporcionar preços especiais de certos alimentos às famílias em tempos de crise, são outras propostas de Washington Weidman.

Por sua vez, a empresária Wanda Fernandes indicou como sugestões a prorrogação da lay off por mais meses e estendê-la aos gerentes das empresas, e em vez de 35% aumentar esta medida para 70%, melhorar a negociação do pagamento da segurança social no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), assim como apostar futuramente nas indústrias criativas, de conservação alimentícia, na agricultura e nas pescas.

Um agente de viagem preferiu falar sobre o “tempo do sector empresarial” que, sublinhou, “é diferente do poder público”. Por isso, para este agente, “é preciso agir e intervir mais rápido, e, sobretudo, diminuir o timing de questões burocráticas para se poder agilizar alguns processos e ajudar na resolução dos mais diversos problemas económicos sociais”.

Os empresários questionaram ainda sobre “previsão da data, concerto ou criação de melhores condições de negociação de ao menos alguns voos charter de algum operador turístico, no sentido de, afirmaram, “ter alguma esperança, ver luz no fundo do túnel, de modo a se prepararem melhor, ou até mesmo tentar ajudar neste processo”.

As questões sanitárias, com destaque para o centro da covi-19, foram outras preocupações colocadas pelos operadores económicos e turísticos na reunião com a comitiva governamental..

VD/JMV

Inforpress

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