Boa Vista: Obras do núcleo de arqueologia e museologia decorrem no ritmo desejado – IPC

Sal Rei, 25 Out (Inforpress) – O presidente da Instituto do Património Cultural (IPC), Jair Fernandes, disse hoje que as intervenções no edifício da ex-alfândega, que albergará o núcleo de arqueologia da Boa Vista, estão a decorrer no “ritmo desejado”.

Falando à imprensa no final de uma visita às obras iniciadas há cerca de um mês, o responsável explicou que se trata de um projecto “arrojado e à altura da ilha”, orçado em cerca de 12 mil contos.

O projecto, tripartido, conta com o investimento do Fundo do Turismo, que já disponibilizou uma verba, a Câmara Municipal da Boa Vista, que é um parceiro externo, e o projecto “Mergulhar”, que disponibilizou cerca de 23 mil euros.

Conforme o presidente do IPC, a ideia do museu ou de um centro interpretativo será restituir o emblemático espaço da ex-alfândega, reconstituindo-o com todos os elementos do edifício original, destacando a recolocação de um alpendre que existia e que foi retirado em 2008.

A nível interno, adiantou Jair Fernandes, será feita a adaptação e readaptação do espaço a um novo conceito para albergar o museu subaquático da ilha.

“As intervenções iniciaram-se há cerca de um mês e estão numa velocidade e num ritmo desejado, com adaptações e readaptações do espaço que já são visíveis”, verificou, explicando que se está na fase de picagem do espaço e introdução de cimento hidráulico, para garantir a perenidade da intervenção.

Questionado pela Inforpress sobre a data prevista para conclusão das obras e sua inauguração, o presidente do IPC respondeu que “será com qualidade e em tempo certo”.

É que segundo justificou, mais do que pressão a ser exercida sobre o empreiteiro num contexto da ilha da Boa Vista, em que a maioria dos materiais é importada do exterior e do tempo da obra, a preocupação principal é entregar a infra-estrutura com qualidade.

“Queremos trazer qualidade, temos total abertura, sem prejuízo de falar que o prazo contratualizado com o empreiteiro ronda os quatro meses. Mas sabemos que é manifestamente insuficiente pela natureza do trabalho”, argumentou.

Adiantou que dois meses serão para a introdução do cenário da museografia, como os painéis, dispositivos e todo o conceito de interpretação à volta do museu.

E ainda nesta missão, sublinhou que, tendo em conta que é um espaço que se localiza na orla costeira, na Praia d´Diante, pretende agendar um encontro com os principais “playeres” que actuam na área costeira protegida, com os operadores turísticos, por ser um lugar muito frequentado por turistas, bem como com as escolas, defendendo como preocupação ter um espaço que estará voltado para a comunidade.

Ainda sobre as adaptações, Jair Fernandes avançou que haverá espaços adaptados para pessoas portadoras de deficiência motora, como nas casas de banho, espaços do corredor, considerando que o perfil da maioria dos visitantes da ilha é sénior.

Em termos de exposição, precisou que se está na fase de montagem do conceito, prevendo-se introduções no que diz respeito a novas tecnologias, espaço de imersão através de realidade aumentada, possibilidade de visualizar fundos de mar, sobretudo da Boa Vista, mas também aliados a conceito de reposições mais tradicionais, que são peças da ilha, traduzidas numa linguagem para diferentes públicos.

Quanto a idiomas, segundo o dirigente do IPC, além do português, inglês e francês, está-se a trabalhar para se ter o crioulo da variante da ilha da Boa Vista, e linguagem Braille para pessoas portadoras de deficiência visual.

De acordo com o responsável, haverá um enquadramento para pensar na estrutura não só de interpretação da ilha, mas também na sua localização, na Praia d´Diante, um espaço muito frequentado por turistas, mas também na infraestrutura militar emblemática de Cabo Verde, o Forte Duque de Bragança, localizado no ilhéu Djéu, que carece também de intervenção.

VD/JMV

Inforpress/FIM

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